"As palavras são, naturalmente, a droga mais poderosa usada pela humanidade." Rudyard Kipling
domingo, 17 de abril de 2011
Bullying: registro em cartório vira prova judicial
16 de abril de 2011
LUÍSA ALCALDE JT
LUÍSA ALCALDE JT
Pais passaram a registrar em cartório ofensas sofridas pelos filhos vítimas de cyberbullying (ofensas pela internet). O documento é usado para provar agressões virtuais em processos movidos contra autores mesmo que as mensagens venham a ser posteriormente retiradas das redes sociais.
No 26º Cartório de Notas da Praça João Mendes, o mais movimentado da capital, no centro, foram registrados sete desses documentos nos últimos seis meses. Chamados de atas notariais, são uma espécie de escritura pública que retrata fatos ocorridos no cotidiano. Todos os casos relatados envolviam jovens em idade escolar e colegas do mesmo colégio.
Segundo Felipe Leonardo Rodrigues, tabelião substituto, a prática tem ocorrido nos demais registros de notas da cidade. “Como a procura é crescente, elaboramos uma manual para o setor seguir a metodologia”, explica.
“A ata dá fé pública. É um retrato jurídico de que aquele fato realmente existiu e serve como força probatória em ações judiciais”, afirma Rodrigues.
Uma cópia tirada da internet funciona como indício e não como prova em um processo. E pode ser contestada pela defesa do acusado que pode alegar que o material foi montado. “Consegue-se assim inverter o ônus da prova. Quem acusa depois é que vai ter de provar que a cópia não foi adulterada. Quando isso ocorre, na maioria das vezes, no meio das ações, as mensagens já foram retiradas do ar”, afirma o tabelião.
No caso da ata notarial, a família informa o endereço eletrônico onde as ofensas estão postadas e o funcionário do cartório entra no site e verifica que elas realmente estão na rede. Ou, se for o caso, vai à casa do interessado, acessa e-mails ou diálogos trocados por MSN, SMS ou Twitter e registra a ata no cartório, atestando a veracidade de que aqueles conteúdos realmente foram encontrados no meio virtual. Esse serviço custa, em média, R$ 278. Dependendo da complexidade fica pronto em, no máximo, um dia.
No Colégio Marista Arquidiocesano, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, em duas situações pais de alunos foram orientados pela direção a buscar meios legais para tentar identificar autores anônimos de ofensas contra seus filhos postadas na web.
“Se sabemos que isso ocorreu no Orkut ou no Facebook, os estudantes são convidados a limpar imediatamente as mensagens. Mas isso é sempre combinado com as famílias e foram casos isolados que não eram persistentes”, explica o diretor educacional do colégio, Ascânio João Sedrez.
“Não temos hackers para fazer uma investigação mais aprofundada quando o caso extrapola os limites do colégio, mas buscamos indícios além dos sites. Ouvimos os envolvidos reservadamente e pessoas próximas e, apesar de a ofensa ocorrer no meio virtual de forma reservada, o agressor faz o que faz para se tornar popular e alguém vai nos dar a dica, porque isso torna-se público entre os grupos”, afirma Sedrez.
O bullying é também tratado de forma preventiva por meio de dinâmicas em grupos desde a educação infantil onde são discutidos critérios de superação. “Funciona mais do que sermão”, explica o diretor. Quando professores percebem que uma classe está mais agressiva ou os alunos estão irrequietos, têm autonomia para tratar do tema em classe abordando o assunto sem expor a vítima ou o agressor.
“No caso dos maiores, são promovidos debates em assembleias onde há temas provocativos como, por exemplo, o respeito à convivência, que é uma boa desculpa para trazer essas questões para a sala de aula. Nossa intenção é dar vez e voz aos alunos e reforçar que todos têm o direito de ser como são.”
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Ouvindo os mortos
Médicos legistas são uma espécie rara: aos vivos, preferem os que já não podem falar, mas ainda têm muito a dizer
por Clara Becker
Passava das quatro da madrugada de sábado, 9 de outubro, quando o celular da médica-legista Gabriela Pinto tocou na sala de convívio do Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, no Centro do Rio. Era o técnico de necropsia, Alexandre Braga Pereira, de 37 anos, que interrompia o sono das plantonistas para avisar que, naquele momento, mais quatro cadáveres haviam chegado ao necrotério. No beliche ao lado de Gabriela, a segunda legista do plantão, Antonieta Campos Xavier, perguntou animada: “Tem algum baleado?”
Quem trabalha com a doutora Antonieta conhece a regra: os baleados são todos dela. Diz-se nos corredores do IML que é uma injustiça ela não constar no Guinness como recordista mundial em necropsias de baleados. Essa circunstância faz com que Antonieta trabalhe mais do que seus companheiros. Grande parte das ocorrências registradas ali é, no jargão dos legistas, de Perfuração por Armas de Fogo, ou PAFs. Dos 1 080 casos de homicídio que chegaram ao IML no primeiro semestre de 2010, 913 foram por armas de fogo, uma média de cinco baleados por dia.
Antonieta, 66 anos, é uma mulher pequena, de cabelos rebeldes e franqueza desconcertante. Para manter a forma, corre, faz musculação e bicicleta. No trabalho, costuma ser mais rápida que seus companheiros. Assim que se desembaraça de seus baleados, se apressa em ajudar os colegas. Já chegou a fazer 28 necropsias num só dia.
O IML é o desaguadouro das misérias de uma cidade violenta. Ali só chegam vítimas de mortes não naturais – assassinados, acidentados, suicidas. Em média, são autopsiados vinte corpos por dia. Às sextas-feiras, a estatística piora. “Sexta-feira é o Dia Internacional da Matança. Hoje está sendo atípico, pudemos até descansar um pouco”, disse Antonieta, referindo-se ao baixo movimento. Desde que o plantão começara, às oito da noite, até aquela hora, haviam chegado apenas oito corpos.
A estatística podia ou não merecer alguma comemoração. Às vezes, os corpos demoram a ser encontrados e os despojos das sextas sangrentas, principalmente as de sol, que estimulam o consumo de álcool, só aparecem no sábado e no domingo. Nos dias de chuva mata-se menos.
Antonieta saltou da cama e, tateando no escuro, apanhou seu uniforme dobrado sobre a cadeira. Enquanto se vestia – ela se recusa a dormir com a roupa de trabalho, ao contrário dos colegas –, definiu-se com crueza implacável: “Sou movida a defunto e Coca-Cola.” Como para justificar a brutalidade da frase, emendou: “O médico-legista não é um mortal comum. Nós somos abutres da humanidade. Não dá para ver o que a gente vê e permanecer normal.” Se já estivesse de pé, e não encolhida nos lençóis tentando espichar o sono um pouquinho mais, a colega Gabriela assentiria. Mais tarde, contaria que, na faculdade de medicina, vivia cheirando a formol. “Todo tempo livre que eu tinha, usava pra ir ao laboratório dissecar cadáveres.” Apaixonou-se pelas aulas de anatomia e descobriu sua vocação para legista. Em casa, inventava para os pais que ia acompanhar partos com um professor obstetra quando, na verdade, seguia para o IML na companhia de um professor de medicina legal.
Certa vez, no laboratório da faculdade, Gabriela recebeu o corpo de um homem cujo olho saltado só estava preso à órbita por um feixe de nervos e músculos. Na época, ela namorava um rapaz que pensava em ser oftalmologista. Querendo agradá-lo, deu-lhe de presente um vidrinho de formol com o olho dentro. O namorado achou o gesto de mau gosto e Gabriela ficou com o olho para si. Juntou-o a sua coleção de ossos. Ao casar, teve de se desfazer de tudo. O marido não gostou da ideia de conviver com esqueletos e olhos.
Gabriela tem 36 anos e trabalha há oito no IML. Ela é baixa, magra, com músculos bem torneados. Os cabelos lisos chegam quase à cintura. Naquela madrugada, usava um uniforme verde da Rede D’Or, onde também trabalha, brincos de pérola e duas correntes de ouro: uma com a estrela de Davi, e outra com um pingente onde se lê o nome do filho de 5 anos, Miguel. É ortopedista, como o pai, com quem divide um consultório particular. Não abriu mão, no entanto, de exercer a medicina legal. A decisão não agradou à família, principalmente ao pai, que considera o ambiente de trabalho degradante e não entende o que a filha vê “na porra do IML”. Gabriela tem uma explicação: ali encontrou um modo de dar vazão a seu sentimento moral. A medicina legal lhe dá a possibilidade de condenar culpados e absolver inocentes. Gabriela busca compreender o que os mortos dizem com seus corpos mutilados.
Os legistas do estado do Rio de Janeiro ganham pouco mais de 3 500 reais por mês para se revezar em plantões de 24 horas, sistema que Antonieta julga absurdo: “Ninguém deveria passar mais de seis horas num necrotério. Isso aqui é uma máquina de fazer doidos. Só não endoideço porque já nasci louca. Não é à toa que tantos legistas ficam encostados durante meses pela psiquiatria. Desafio qualquer um a passar duas horas me vendo trabalhar aqui dentro.”
Antonieta foi a primeira a chegar à sala de necropsia. Estava bem disposta, apesar das poucas horas de sono. Vestia uma calça azul, jaleco branco, touca, sapatos cor-de-rosa e carregava uma prancheta decorada com adesivos das princesas da Disney. Eram cinco da manhã, e os dois cadáveres que haviam sido autopsiados pelas médicas quatro horas antes continuavam nas mesas de aço. A cabeça de um deles estava reduzida a duas dimensões por causa da roda que lhe passara por cima. Irritada com a displicência da equipe, Antonieta gritou: “Sala! Cadáver na mesa!” Em poucos minutos, sonolentos e com olheiras fundas, apareceram os técnicos de necropsia – responsáveis por abrir e costurar os corpos –, o coletor de vísceras para os exames laboratoriais, o digitador e um faxineiro recém-contratado. A faxineira anterior não aguentara o trabalho e pedira demissão.
Segundo o Código Penal brasileiro, todas as vítimas de morte não natural devem ser submetidas a necropsia no órgão competente. Nesses casos, os médicos não legistas são impedidos de expedir um atestado de óbito, documento imprescindível para sepultamentos, cremação e seguros de vida. Também quando o médico não sabe especificar a causa da morte, ela é considerada juridicamente suspeita e o corpo precisa ser enviado ao IML para investigação.
Antonieta contou o caso do corpo de um embaixador de Porto Rico, encontrado junto a um poste da Lapa. A família chegou acompanhada de um médico que alegava que o morto sofria de problemas cardíacos e certamente enfartara. Queriam evitar que fosse autopsiado. Compreende-se a reação: na autópsia, os cadáveres são abertos, vasculhados, suturados. É uma dessacralização do corpo que agrava a dor dos parentes. Antonieta, porém, é inflexível: “Chegou aqui, vai para mesa.” Ao abrir o corpo do embaixador viu que as costelas estavam quebradas e o baço esmagado. Era um caso de homicídio.
Na sala onde os parentes aguardam a liberação dos corpos, sofre-se de muitas maneiras, de lágrimas contidas a paroxismos de desespero. Mães arrancam os cabelos, rasgam roupas, chamam por seus filhos. Gritos de dor ecoam pelos corredores. Entre os que fazem o reconhecimento, há os que só olham de relance para o corpo, os que beijam e os que embalam a pessoa morta. Antonieta sempre evita passar pelos familiares. “Eu só falo com defuntos”, diz.
Dos quatro mortos recém-chegados, dois tinham sido baleados. Foram postos nas mesas de aço para serem autopsiados por Antonieta. “Eu gosto do trabalho detetivesco, de seguir o trajeto da bala no corpo até achá-la”, explicou. Estava diante dos corpos de dois jovens mulatos. A equipe sempre se impressiona com a capacidade de Antonieta para estimar altura e idade. A médica bateu os olhos e afirmou: “Esse aqui tem uns 17 anos e 1,75 metro. O outro, 19 anos e 1,83 metro.” Com uma régua de 2 metros, o técnico de necropsia comprovou que a legista acertara mais uma vez. Um rapaz fora encontrado na Penha; o outro, em Guadalupe, dois bairros violentos do subúrbio do Rio de Janeiro. “Em vinte anos só vai ter velho no Brasil. Os moços morrem todos”, lamentou a médica.
Enquanto o técnico Alexandre Pereira amolava a faca usada nas incisões, Antonieta registrava numa ficha presa à sua prancheta a roupa dos jovens. Escrevia cantarolando a marchinha: “No tempo que Dondon jogava no Andaraí...” Os dois mortos vestiam bermuda e blusa de times internacionais de futebol, o inglês Chelsea e o italiano Inter de Milão. “Eles quase nunca chegam com tênis. Sempre levam”, observou. Depois de despir os corpos, os técnicos lavaram a lama e o sangue com um chuveirinho acoplado à mesa. Um dos mortos tinha a barba por fazer e um nome feminino tatuado no antebraço direito. Os olhos abertos, fixos no teto, lhe davam um aspecto de vivo, impressão imediatamente desfeita quando o viraram de costas. Um tiro na cervical havia explodido a sua caixa craniana e ele não tinha cérebro. Serena, a equipe apenas registrou o fato. “Ele está sem cérebro”, disse um dos técnicos.
Ao contrário de cirurgias, em que corpos são delicadamente manuseados, no IML eles são puxados, empurrados, atirados. Não há descuido, mas necessidade. O manuseio de cadáveres enrijecidos não é fácil. Despi-los exige habilidade e força. Uma adolescente de 16 anos com um piercing no umbigo chegou vestindo um short tão apertado que a equipe ficou especulando como teria conseguido calçar a peça. Depois de várias tentativas de removê-lo, o short teve que ser cortado.
O técnico de necropsia Alexandre Pereira é grande, musculoso, de ombros largos. Ainda assim, faz muita força para descruzar os braços dos mortos. Os técnicos são responsáveis pelo trabalho pesado. Por um salário bruto de 1 535 reais eles transportam, despem, cortam e costuram os cadáveres. São considerados os alfaiates do IML. Os corpos são fechados com barbante de sisal, uma fibra biodegradável. Os pontos, dados com uma agulha grossa e comprida, distam quase um palmo um do outro, o que deixa os mortos com aparência de espantalhos. Ter o segundo grau completo é a única exigência para se candidatar para a função. No concurso que Pereira fez, em 2002, foram 43 mil inscritos para 97 vagas.
Ele tem a destreza de um cirurgião. Fez uma incisão precisa, sem desvios, da garganta até o púbis de um dos baleados. Em seguida, descolou a pele do tórax e cortou as costelas para permitir acesso ao coração e aos pulmões. Usando uma concha para tirar o excesso de sangue, removeu o coração, intacto, e deixou-o apoiado ao lado da cabeça do cadáver enquanto vasculhava as vísceras à procura dos projéteis. Enfiou o estilete onde o rapaz fora atingido para acompanhar a trajetória da bala. Antonieta fotografava tudo e assinalava as feridas na silhueta de um corpo humano reproduzida na ficha que trazia à mão. O odor fétido “de sangue coalhado” – como descreveu o faxineiro – não parecia incomodar a equipe.As balas de calibre 22 e 32 são pequenas e difíceis de encontrar. Uma delas, encravada na coluna vertebral, teve que ser retirada a golpes de martelo. Na maca ao lado, um segundo técnico serrava o crânio do outro baleado. O barulho fazia a sala parecer uma serralheria. O jovem com o crânio exposto tinha sido atingido por oito balas. O número não impressionou Antonieta. Ela já fez necropsias em cadáveres desfigurados por 109 tiros. “O ser humano é a prova cabal da inexistência de Deus. Dizem que Deus é perfeito. O perfeito, por definição, não erra. O homem é um erro, então não poderia ter sido criado por Deus”, silogizou.
Diariamente, o que Antonieta enxerga naquelas macas é o suplício e a atrocidade. Cansou de juntar pedaços de corpos esquartejados, de ver cadáveres com pés e mãos amarrados para trás, fita crepe na boca, olhos arrancados, faces descoladas. Certa vez, recebeu o corpo esfaqueado de um presidiário. Na 157ª incisão, desistiu de contar. Se há algo que não suporta é o cheiro de carne queimada dos corpos carbonizados. “Teve um menino de 18 anos, filho de policial, que foi queimado vivo em pneus. Depois os traficantes ligaram para o pai e disseram: ‘Vem buscar seu carvãozinho.’”
“Eu não concordo com essas ONGs que protegem bandidos e dizem que tudo é falta de estrutura familiar e afeto, e que a culpa é da desigualdade social. Se fosse só por fome, o bandido não precisava arrancar o coração depois de roubar uma velhinha ou quebrar o pescoço de uma criança depois de estuprá-la”, disse.
Antonieta acostumou-se com a morte e não a teme. “Não é preciso se preocupar. Ela virá.” Só lamenta não estar viva para saber se as verdades científicas do futuro confirmarão as de hoje.
Feita a perícia nos corpos dos dois baleados, Antonieta pôs-se a transmitir o laudo para o digitador que, minutos antes, dormia com a cabeça apoiada no teclado do computador. Ela não sabe e nem quer aprender a digitar. O funcionário, que estava com dor de garganta, aproveitou para consultar-se com a médica que também cuida dos vivos. Antonieta prescreveu-lhe um anti-inflamatório e continuou ditando: “O cadáver apresenta rigidez muscular generalizada com livores violáceos nas regiões posteriores do corpo.”
O laudo consiste em uma descrição detalhada do estado do cadáver. Nele constam a causa da morte, o tipo de instrumento usado ou o meio que a produziu – veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura, afogamento. Em caso de homicídios por arma de fogo, a direção dos projéteis e a distância dos tiros são cruciais para informar ao inquérito policial e dar sustentação a uma tese apresentada ao júri. Um exame cadavérico bem-feito pode esclarecer muitas questões. Várias feridas de um só lado revelam a posição da vítima ao ser golpeada. O tipo de lesão indica se o agredido teria capacidade de se deslocar após o golpe mortal. A direção da lesão pode indicar se o criminoso é canhoto. Conteúdos do estômago, bexiga, reto e presença de sêmen também são evidências importantes. Marcas de dedos denunciam se a vítima foi agarrada por mais de um agressor. Foi o caso, por exemplo, de um homossexual morto pelo namorado durante uma briga. Os advogados do réu insistiam na tese de legítima defesa. As marcas roxas encontradas no braço da vítima revelaram que uma terceira pessoa a segurara para que outra a esfaqueasse.
Juízes se baseiam nas provas descritas nos laudos para proferirem sentenças. É corriqueiro na vida de um médico-legista ser chamado para depor. Em 2002, Antonieta deu seu parecer no caso do candidato a deputado estadual pelo PDT Luiz Fernando Petra, que foi morto ao enfrentar cabos eleitorais que penduravam galhardetes de um candidato da oposição no poste em frente a sua casa. Atingiram-no com cinco tiros: três no peito, um na cabeça e um nas costas. Durante o julgamento, o réu, que alegava legítima defesa, fixou o seu olhar no dela. Antonieta não se intimidou e deu seu parecer ao juiz: “Vossa Excelência, a vítima estava deitada quando recebeu o tiro na cabeça. Além do mais, onde já se viu legítima defesa com cinco tiros?” O homem foi condenado a quinze anos de prisão pela 2ª Vara Criminal. “Eu gosto quando condenam. Fico danada da vida quando vejo bandido ir para casa.”
Não são raras as vezes que ela fica danada da vida. Lembrou-se de um dia chuvoso em que teve de depor na Ilha do Governador. Uma mulher fora achada na cozinha de casa com um tiro na cabeça. O marido era o principal suspeito e o advogado tentava convencer os jurados de que se tratava de suicídio. Alegava que o teste de pólvora na mão da morta tinha dado positivo. A legista explicou que os reagentes usados no IML não eram precisos. Detergente, batom e limão podem fazer com que o teste de pólvora dê positivo. “O tiro tinha sido dado por trás, eu achei a bala na testa. Suicidas atiram na têmpora, na boca ou no peito. Já pegou numa arma? Experimenta atirar por trás para ver se você consegue?”, disse. O marido foi inocentado. “Eu não sei como aquele advogado gordo safado conseguiu, mas prevaleceu a tese de suicídio”, afirmou, ainda indignada.
Antonieta trabalha como neurologista no hospital do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, o Iaserj, desde 1978. Já poderia ter se aposentado, mas ficou para brigar com o governador Sérgio Cabral que, segundo ela, pretende fechar o hospital. Em 1993, estava atendendo no pronto-socorro quando um amigo neurocirurgião lhe disse que havia sido aberto um concurso para medicina legal. “Nem li o edital, fiz um cursinho preparatório e passei. Quase caí para trás quando descobri que tinha virado policial.”
O Instituto Médico Legal, que era vinculado ao Ministério da Justiça, foi transferido para a Polícia Civil em 1930. Ali, teve que dividir parte dos já minguados recursos com o Instituto de Identificação Félix Pacheco e o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, que também dão suporte às investigações policiais. Além do necrotério, há o setor dos vivos, responsável pelos exames de corpo de delito. Frank Perlini, ex-diretor do IML, diz que o instituto é uma casa de sofrimento: “Nenhum dos nossos pacientes volta ou nos dá presente de Natal.”
Antonieta não teve dificuldades em se adaptar ao necrotério. “Sou filha de cangaceiros”, brincou. Nasceu em 1944, no município de Rio do Meio, no interior da Bahia. Aprendeu desde cedo a lidar com a morte – dos seus quinze irmãos, sete morreram ainda crianças. Ela se lembra dos “defuntinhos” das irmãs que não sobreviveram às condições em que viviam na roça. Antonieta, a única menina sobrevivente, foi criada com mais sete irmãos num Nordeste masculino. Ajudava a mãe a preparar o almoço para os homens que trabalhavam na lavoura. Depenava galinhas e descarnava porcos e caças que o pai trazia: tatu, teiú e veado.
Foi semialfabetizada pela mãe, que só cursou 3 meses e 19 dias de escola – os estudos foram interrompidos porque o avô achava que as meninas só queriam aprender a escrever para mandar cartas para os namorados. Foi só aos 16 anos que Antonieta se alfabetizou de verdade. Apesar disso, formou-se médica com pós-graduação em medicina tropical pela USP e especializou-se em neurologia no Iaserj.
Foi Maria Lourdes Borges Palmeira, filha de João Borges, dono da fazenda em que os pais de Antonieta trabalhavam, quem tirou a menina chucra da barra da saia da mãe e a trouxe para o Rio de Janeiro quando tinha 16 anos. “Meu pai ficou com vergonha de dizer não à dona Lourdes e eu vim.” Seu patrão, Sinval Palmeira, casado com Maria Lourdes, a incentivou a se matricular na escola. Antonieta trabalhava como copeira durante o dia e frequentava a escola à noite. Até os 27 anos, quando passou para a faculdade de medicina, revezava-se entre os estudos e jantares servidos à francesa. “Dona Lourdes lamenta até hoje ter perdido a melhor copeira que ela já viu. Eu era emprestada para servir o Balé Bolshoi. A cada jantar eu comprava um uniforme novo, adorava a meia soquete e a toquinha de renda. As mulheres eram todas muito elegantes”, contou.
Antonieta nunca se casou. Passava todo o tempo livre estudando na mesa da cozinha. “Meus patrões chegaram a me levar a um psiquiatra achando que eu tinha algum problema”, contou. A cicatriz que tem entre as sobrancelhas é a prova da sua obstinação. Numa das muitas noites que varou estudando para uma prova de química, cochilou, bateu com a cabeça na mesa e levou onze pontos. “Depois passei da época de amar. Casar e ter filhos, só quando se é jovem e irresponsável. Graças a Deus nunca me apaixonei. Só pela medicina legal”, disse. Ainda hoje, cinquenta anos depois, ela continua a morar com dona Lourdes, que completou 97 anos. As duas vivem num apartamento na Avenida Atlântica.
O primeiro registro histórico de necropsia é o do imperador romano Júlio Cesar, no ano 44 a.C. O exame constatou que dos 23 golpes recebidos apenas um foi mortal. Já o primeiro livro sobre medicina legal é o Hsi Yuan Lu, manual chinês publicado em 1248, que ensinava como aplicar conceitos médicos para a solução de casos criminais. Em 1532, Carlos V, rei de Espanha e imperador do Sacro Império Romano Germânico, promulgou a Constitutio Criminalis Carolina, que autorizou a necropsia forense. Em 1650, surgiu o primeiro curso especializado em medicina legal na Universidade de Leipzig.
O século XIX é considerado a época de ouro da medicina legal. Nesse período a ciência também prosperou no Brasil. A primeira necropsia médico-legal no país foi feita em 1835, por Hércules Otávio Muzzi, cirurgião da família imperial. Em 1856, foi criado, no Rio de Janeiro, o primeiro necrotério. Em seu livro, Medicina Legal: Texto e Atlas, Hygino de Carvalho Hercules lembra que Raimundo Nina Rodrigues, Afrânio Peixoto e Oscar Freire – para a maioria dos brasileiros, mais conhecidos como nomes de ruas – foram médicos-legistas reconhecidos internacionalmente.
Até 1975, o IML funcionava bem. Com a fusão dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, o instituto passou a atender uma área geográfica muito maior e mais carente, sem contrapartida de aumento de recursos humanos e materiais. A baixa remuneração dos médicos resultante da crise na saúde fez com que muitos prestassem concurso para o instituto não por vocação, mas para complementar a renda familiar. Hoje, no Rio de Janeiro, não há cursos de pós-graduação em medicina legal para os que querem se dedicar à pesquisa. A profissão não tem mais o prestígio de antigamente.
Às 5h35, Gabriela entrou no necrotério bocejando. A claridade das luzes frias irritou seus olhos ainda sonolentos. Trazia um desjejum para os colegas de plantão: Coca-Cola Zero, uma caixa de uvas-passas, bolo de cenoura feito pelo marido e pipoca de micro-ondas light, cujo cheiro aliviou por alguns minutos o ar nauseabundo do local. Gabriela é capaz de sentir fome ao ver alimentos em estado inicial de digestão no estômago de autopsiados. Certa vez ela trabalhava no corpo de um homem que morrera afogado na piscina durante uma feijoada. “Cortamos o estômago dele e a couve ainda estava verdinha. Cheguei em casa com o maior desejo de comer couve. Contei o caso para a empregada e pedi que ela preparasse um pouco para mim. Acontece que ela tinha estômago sensível e passou mal só de ouvir a história. A coitada nunca mais conseguiu comer couve na vida”, contou. Um mês depois, quando lhe bateu um desejo de molho à campanha, não contou o motivo a ninguém. Pela sua experiência, arroz todo mundo come; feijão, nem sempre. “Quando eu morrer e vier para cá vai ser inédito: quase nunca como arroz”, disse a legista, que não teme a morte, mas tem fobia de barata.
No seu último plantão antes de tirar licença-maternidade, grávida de nove meses e dois dias antes de parir, Gabriela bateu seu recorde de necropsias: foram 22 em 24 horas. Um dos cadáveres era de uma mulher que morrera durante o parto. Assim que saiu do IML, ligou para o corretor e fez um seguro de vida. No dia em que voltou a trabalhar, recebeu o corpo de uma criança que havia sido eletrocutada após enfiar o dedo na tomada. Na mesma noite, tapou todas as tomadas de casa.
As mortes de crianças são mais difíceis de lidar. Gabriela contou que um dos secretários do IML se recusou a entregar à família o atestado de óbito de uma criança que morrera asfixiada com uma bola de gude na garganta. Não queria ver a reação dos pais. Ela mesma teve que dar a notícia. “A mãe disse que não tinha bola de gude em casa e não sabia como o filho tinha arranjado uma. Eles não quiseram ficar com a bolinha”, disse, sacando da bolsa a bola de gude que guarda sem saber o que fazer dela.
Os cadáveres sem identificação, como os que chegaram na madrugada de 9 de outubro, são referidos pelo tipo de morte: o esfaqueado, o baleado, o afogado. Enquanto Antonieta se ocupava dos baleados, Gabriela se encarregou de necropsiar o enforcado. Já os cadáveres identificados – os que vêm com o nome amarrado no dedão do pé – são tratados pelo primeiro nome, como se fossem velhos conhecidos. “Você viu o Cleyton?”, “Pode levar o Evair”. Os que começam a apodrecer recebem o apelido de podrinho, podre ou podrão, conforme o estado de decomposição. São autopsiados em uma sala localizada na parte externa do IML para não empestear ainda mais o ar e para evitar a contaminação pela fauna cadavérica – termo médico dado a larvas que procriam em todos os orifícios e tecidos moles do corpo.
Gabriela saiu da sala e foi para a área externa autopsiar um corpo em estado inicial de putrefação. O cadáver só fora encontrado porque os vizinhos começaram a se incomodar com o mau cheiro vindo da casa ao lado. “Essa galera encontrada em casa é pudim de cachaça. Quando abre, tem cirrose, desnutrição e pneumonia. É batata”, disse a legista. Observado de certa distância, parecia tratar-se de um defunto obeso. O saco escrotal impressionava por ser do tamanho de uma bola de futebol, consequência do inchaço causado pelos gases exalados no processo de decomposição. É necessário cuidado ao abrir um corpo assim – os gases explodem e o sangue espirra na cara. O diagnóstico de Gabriela foi confirmado – tratava-se, sim, de um alcoólatra.
Já o enforcado surpreendeu a todos. Além do claro estrangulamento – evidenciado por uma profunda marca deixada pela corda no pescoço – o estômago estava cheio de bolinhas pretas – era ingestão de chumbinho. Algumas vezes os corpos são envenenados e depois pendurados para forjar suicídio. Esses são casos de homicídio de fácil resolução, pois faltam as marcas das reações vitais no pescoço. No caso do cadáver autopsiado por Gabriela, ficou claro que era um suicídio por envenenamento e enforcamento. “As reações vitais, a cara roxa e o sangue azul em sinal de asfixia comprovam isso”, explicou.
Eram sete horas da manhã quando Antonieta declarou encerradas as necropsias. Debruçara-se sobre os corpos durante duas horas. Não demorou quinze minutos e outro cadáver chegou. Era mais um baleado. “Oba”, exclamou, comemorando com uma dançadinha. Entusiasmada, comandou: “Bota na mesa!” Sem perder tempo, iniciou o trabalho, desta vez cantarolando Olhos castanhos. À Gabriela coube fazer uma verificação de óbito, ou V.O., termo empregado para definir casos onde não há pistas externas da causa de morte. O legista tem que fazer uma investigação minuciosa, órgão por órgão. A vítima daquele dia dera entrada na Unidade de Pronto Atendimento do Complexo do Alemão com fortes dores de cabeça e morrera duas horas depois. O corpo parecia saudável. Suspeitava-se de rompimento de um aneurisma. Por se tratar de morte natural, o corpo não deveria ter sido encaminhado para lá.
Quando isso acontece, Gabriela fica indignada. Ela critica os médicos que mandam verificações de óbito desnecessárias para o IML: “Eles ficam com medo de assinar atestado de óbito e sofrerem processo depois. Por isso mandam os corpos indevidamente para cá. Uma vez eu conversei com a defunta, pedi desculpas para ela, mas mandei o corpo de volta. Nós somos responsáveis por mortes não naturais, e ponto”, disse.
Naquele sábado, Antonieta e Gabriela foram para casa depois de verem dezoito mortos: seis baleados, cinco atropelados, um enforcado, dois asfixiados, duas mortes por causa natural identificadas por verificação de óbito e outras duas sem possibilidade de determinar a causa devido ao estado avançado de decomposição.
DELFIM NETTO: biblioteca pode ter uns 500 mil itens
Delfim Netto comprou seu primeiro livro na Civilização Brasileira, no Centro de São Paulo, quando era adolescente. Sete décadas depois, ele tem 250 mil livros. Eles estão acomodados num galpão com vários salões no sítio do ex-ministro em Cotia, nas imediações de São Paulo. Quer dizer, ele supõe que sejam 250 mil. “Usando como critério o número de artigos e ensaios, que são o usual no meu campo, o da economia, acho que a biblioteca pode ter uns 500 mil itens”
quinta-feira, 14 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Briga de marido e mulher - Acidente envolvendo exclusivamente casal não dá margem a dano moral
Acidente envolvendo exclusivamente casal não dá margem a dano moral.
5ª turma Cível do TJ/MS negou por unanimidade provimento à Apelação Cível de casal, declarando que acidente automobilístico que envolve marido e mulher não é capaz de gerar dano moral ou material a nenhum dos cônjuges.
Nas palavras do desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, relator do processo, "se marido e mulher viajavam juntos, com identidade de propósitos, inclusive com rodízio na condução do veículo sinistrado, não se configura ato ilícito o acidente de trânsito nessas circunstâncias". Atualmente, o casal está em processo de separação.
O caso iniciou-se com uma ação de indenização ajuizada pelo marido contra a esposa, por acidente automobolístico quando deslocavam-se para o Estado do PR. Afirma nos autos que a recorrida trafegava em alta velocidade, além do permitido pela legislação de trânsito. Assim, requeriu no mérito "pelo provimento do recurso de apelação, para julgar procedentes os pedidos constantes da inicial, condenando a recorrida em danos pessoais, materiais e morais".
A esposa também apelou da sentença proferida pela 2ª vara da comarca de Bonito/MS, alegando cerceamento de defesa. No mérito, afirma que foi o ex-marido quem deu causa ao sinistro, "pois tinha plena ciência de que a recorrente não estava em condições físicas e psicológicas, para a condução do automóvel naquela viagem. Assim, agiu com negligência e imprudência, passível de indenização". Além disso, alega a recorrente que o acidente de trânsito causou-lhe transtornos de ordem extrapatrimonial, principalmente porque o ex-marido não prestou auxílio físico, emocional e financeiro. Requer, assim, a reforma da sentença para julgar procedente o pedido de condenação por danos morais ao ex-cônjuge, além de litigância de má-fé e nos ônus da sucumbência.
O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva frisou em seu voto serem fatos incontroversos que na época do acidente os apelantes eram ainda casados; que a ré era quem conduzia o veículo na hora do acidente; e que ambos se revezavam na condução do automóvel.
O relator registrou a necessidade de preservar o instituto do casamento "no qual os consortes assumem, ou deveriam assumir, a comunhão de interesses, com respeito e dignidade. Do contrário, estar-se-ia contribuindo para o 'funeral da referida instituição', pelas mãos da própria Justiça". Ao analisar as provas, o magistrado afirma que não é possível declarar com absoluta certeza que a ré dormiu ao volante (o que, de acordo com o réu, teria sido a causa do acidente).
Portanto, não pôde o relator imputar culpa a nenhum dos ex-cônjuges, "não só em decorrência do laço matrimonial e dos propósitos da viagem, como, também, pela escassez da prova produzida, a revelar, quando muito, culpa concorrente, em razão do cansaço da viagem. Contudo, a referida culpa concorrente, ainda que fosse considerada, não teria o condão de se atribuir a responsabilidade civil a qualquer das partes, justamente pela união dos consortes", finalizou o relator, não concedendo indenização ao ex-marido e tampouco à ex-mulher.
Argentina: Según un estudio, los jueces son más indulgentes después de comer
Justicia Argentina: Según un estudio, los jueces son más indulgentes después de comer
Tras el desayuno o el almuerzo, el 65 por ciento de las sentencias son a favor de los detenidos. Estudiaron más de 1100 fallos.
Si tiene que enfrentarse a un juez, mejor que sea a primera hora de la mañana o después del almuerzo. Un nuevo estudio indica que ese es el momento del día en que los magistrados son más indulgentes.
Con la intención de probar la idea de que la justicia depende de "lo que el juez comió en el desayuno", un grupo de investigadores estudió 1.112 decisiones de jueces israelíes que presidían tribunales encargados de conceder o no libertad condicional a los prisioneros.
"Encontramos en la secuencia de casos que la probabilidad de un fallo favorable es mayor en el comienzo de la jornada de trabajo, o después de una pausa para alimentarse, que más adelante'', informaron los investigadores en la última edición de la revista Proceedings de la Academia Nacional de Ciencias de Estados Unidos -National Academy of Sciences-.
Los investigadores encontraron que al comienzo de una sesión de la corte alrededor del 65% de los fallos tienden a favorecer a los presos, pero la posibilidad de un fallo benévolo disminuyó casi a cero al final de la jornada.
Después de una pausa para comer, las sentencias favorables a los prisioneros volvieron a elevarse hasta un 65%, y después empiezan a disminuir de nuevo, agregó.
Los científicos, destacaron que el patrón se mantuvo para cada uno de los ocho jueces que observaron por más de 50 días.
Cuando las personas toman muchas decisiones seguidas, tienden a buscar maneras de simplificar el proceso cuando se fatigan mentalmente, dijo uno de los coautores del estudio, Jonathan Levav, de la Universidad de Columbia, en una entrevista telefónica.
Lo más fácil es mantener el status quo, es decir, dejar al preso en la cárcel, agregó.
Los investigadores descubrieron que las sentencias no suelen verse afectadas por la gravedad del delito, el tiempo de prisión cumplido o el sexo u origen étnico del recluso.
Los presos en los programas de rehabilitación obtuvieron la libertad condicional en más ocasiones, y los que eran reincidentes, en menos.
Los investigadores dijeron que sospechan que la gente también busca maneras de simplificar las cosas cuando se enfrenta a una serie de decisiones en situaciones legales, médicas, financieros o de otro tipo.
(Publicado por El Clarín – Argentina, 12 abril 2011)
domingo, 10 de abril de 2011
Meu Bom Retiro
Mario Luis de Moraes
No inicio do século XX minha família aportou em Santos, vindos de trás os montes, Portugal...
Começaria assim nossa história no Bom Retiro. Nossa casa, adquirida pelos meus bisavós em 1926, já sofria com as enchentes.
Nasci em 1964 e na minha infância lembro do muro de casa que tinha pouco mais de um metro e incrivelmente não éramos vitimas de ladrões.
Nos finais de semana jogávamos futebol na rua. Vez em quando passava um ônibus da viação Vila Galvão (era branco e verde) rumo a Guarulhos. O metrô ainda em construção na Praça Professor José Roberto. Lembro da Dona Nena que andava num Dodge Polara azul celeste e que vendia fogos pra toda molecada do bairro no quintal de sua casa.
Minha rua abrigava também a fabrica de brinquedos Coluna. Ao final da rua era o forno da prefeitura, que queimava boa parte do lixo da capital. Tinha também os campos de futebol do Corintinha, na beira do rio Tamanduateí. O carrinho do Pedroca, que ficava em frente ao colégio Renascença e vendia tudo quanto era doce que podia imaginar.
Mas, tudo passa... Chegou o metrô, mudando o nome da praça do pobre professor José Roberto para Armênia, que depois também deu o nome a antiga estação Ponte Pequena. O Micuim virou Senhor Fragosos, respeitado vendedor de bilhetes da loteria... Nunca mais bebeu. A Dona Nena se foi, deixando seu Dodge Polara e pra nossa sorte nunca mandou o quarteirão pelos ares. O Forno deixou de queimar o lixo, pois segundo dizem, produzia fumaça cancerígena. Agora só polui o solo, pois verdadeiras montanhas de lixo são acumuladas lá diariamente. O campo do Corintinha deu lugar à favela do gato que depois virou Parque do Gato, conjunto habitacional criado pela então prefeita Marta. O Pedroca, nunca mais o vi, mas ainda sinto o gosto do drops dulcora e das balas 7 bello, além das figurinhas que ele vendia.
Nossa casinha, ainda firme e forte abriga meus pais e meu irmão, companheiro das brincadeiras na infância. O muro agora tem quase 3 metros e as enchentes, essas prefeito nenhum deu jeito
Dia Nacional do Jornalista
Armando Bergo Neto
Os profissionais do jornalismo celebraram em 07 de abril o Dia Nacional do Jornalista, homenagem a que fazem jus em razão de sua trajetória histórica de lutas e pelo fato de serem a fortaleza inexpugnável da livre manifestação do pensamento, de trabalharem com afinco para que seja atingido o direito sagrado das pessoas poderem manifestar seu pensamento sem que venham a sofrer quaisquer restrições ou perseguições de qualquer ordem.
É um dever da sociedade brasileira fazer este protesto de veneração e de respeito, visto que há a certeza de estar sendo externando o pensamento de uma gama enorme de pessoas que, num determinado momento, sentiram a vontade de prestar uma singela, porém sincera homenagem aos jornalistas. Graças a esta importante categoria de trabalhadores, só para exemplificar, pudemos acompanhar, em tempo real, o desenrolar de diversas Comissões Parlamentares de Inquérito, o que denota a importância da nobre classe aos desígnios do Brasil, resultando por enaltecer e aprimorar a democracia em nosso País.
Realmente, os jornalistas brasileiros têm nos dado uma bela demonstração de como amar a pátria, servindo-a sem que existam benefícios escusos por detrás. Anos a fio, e principalmente nos últimos tempos, têm exercido com esmero seu papel de informar, de esclarecer os cidadãos principalmente sobre "res publica", ou seja, sobre a coisa pública que a todos pertence, incitando-os ao efetivo exercício da cidadania. Hoje é fato público e notório que os nossos jornalistas não estão sujeitos ao Poder Estatal, não são servis, exercendo sua missão sem coerção e subserviência. Ao contrário, fazem valer o princípio constitucional da livre manifestação do pensamento sem temor de contrariar interesses, de causar dissabor a um determinado agente político ou a uma determinada sigla partidária. Desta forma, põem em prática sua nobre missão, seu papel social de informar e ao mesmo tempo conscientizar a população, colocando em prática os dispositivos encartados em nossa Constituição Federal.
Graças aos nossos jornalistas - e principalmente ao jornalismo investigativo -, muito se tem solucionado no país, grande número de criminosos do "colarinho branco" estão respondendo por seus delitos perpetrados contra a Nação, cabendo ao Poder Estatal, na esfera do Ministério Público, das Polícias Civil e Federal, assim como Poder Judiciário, exercerem, com afinco, as funções para os quais foram criados, colocando atrás das grades facínoras disfarçados de homens públicos. E a sociedade clama, mais do que nunca, para que esteja próximo o momento de termos também encarcerados estes pseudo-representantes do povo, que deveriam zelar pelo bem comum, mas que se apropriam do dinheiro público como se este não pertencesse a ninguém, transformando o que é público em privado e esquecendo-se que o dinheiro advém do recolhimento de uma carga tributária estratosférica, e que é paga pelo povo brasileiro.
Os jornalistas de outrora - num passado não muito distante -, algumas vezes acabavam por esmorecer nas tarefas investigativas e de denúncia, ante a forte pressão política a que estavam submetidos e às suas consequentes perseguições, redundando assim o pouco que podiam proporcionar em razão das opressões que lhes eram impingidas. Hodiernamente, transcorridos anos de lutas, com esforços e com empenho de inúmeros jornalistas abnegados, podem orgulhar-se de seu papel imprescindível ao desenvolvimento da Nação.
Parabéns pelo Dia Nacional do Jornalista! O prestígio, a colheita de louros e de bons frutos são a consequência do plantio profícuo, do trabalho sério, ético e de respeito para com a sociedade brasileira. O trabalho, a seriedade, e a contribuição dos profissionais do jornalismo são significantes exemplos a serem trilhados por nossa juventude, tão carente de bons modelos.
Digitalização
Em debate quanto às normas que os cartórios deverão seguir para o armazenar digitalmente os documentos públicos, Marcelo Berthe, juiz auxiliar do CNJ, alerta aos tabeliães da Amazônia Legal que, antecipadamente, vem migrando seus acervos documentais para meios eletrônicos.
"Em breve, editaremos normas de preservação do documento em meio eletrônico. Seria prudente aguardar a edição dessas normas, pois elas virão e deverão ser seguidas. Essas pessoas se arriscam a fazer duas vezes o trabalho", afirmou Berthe, juiz coordenador da Comissão Especial para Gestão Documental do Foro Extrajudicial, que dentro de 120 dias deverá propor ações que recuperem, modernizem e garantam maior agilidade e segurança jurídica aos atos de registro de imóveis.
De acordo Sergio Jacomino, 5º oficial de registro de imóveis de São Paulo, milhares de livros de registro e indicadores estão sendo digitalizados em formatos que não seguem qualquer critério ou padrão que garanta à Justiça e ao cidadão os efeitos legais esperados.
"Estão vendendo digitalização sem garantir nenhum tipo de segurança – nem jurídica, nem de preservação documental. E isso está acontecendo descontroladamente. Sequer as normas baixadas pelo Conarq - Conselho Nacional de Arquivos vem sendo observadas. Não há qualquer segurança jurídica", disparou o registrador, membro da Comissão Especial.
Palestras
Em reunião, no dia 4/4, os membros da Comissão Especial ouviram palestras do coordenador de Preservação da Fundação Biblioteca Nacional, Jayme Spinelli Júnior, do especialista em Preservação Digital Carlos Augusto Silva Ditadi, e do físico convidado Luis Fernando Sayão, que apresentou o paradoxo da preservação digital. "Nos meios tradicionais preservar significa manter imutável e intacto; no ambiente digital, preservar representa mudar os formatos, renovar mídias, recriar hardwares e softwares", disse.
Jayme Spinelli apresentou à Comissão o Plano de Gestão de Risco para a preservação dos conteúdos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. "Se adaptado, não tenho a menor dúvida que pode servir para o acervo dos cartórios de imóveis", afirmou o especialista, que vê similitudes entre os acervos, que trabalham basicamente com livros.
A Biblioteca Nacional tem quase 20 anos de trabalho de preservação digital e já conta com um acervo em meios eletrônicos de boa parte de sua biblioteca.
Para Berthe "é impossível abrir mão do documento físico". "Em meio digital o acesso aos documentos é mais fácil; os procedimentos ficam mais ágeis, mas para mantermos a segurança jurídica esperada desses papéis não há formato digital ainda tão seguro", ponderou.
Na próxima reunião, agendada para o dia 26, será a vez dos registradores e tabeliães apresentarem seus desafios e contribuições sobre o tema.
Insegurança
Os cartórios dos Estados da região Norte foram escolhidos pela Comissão Especial para iniciar o projeto. Além de totalizarem 61% do território nacional, os nove Estados se caracterizam pelos frequentes e violentos conflitos fundiários, causados muitas vezes pelo sistema caótico de registro de imóveis.
"O registro de imóveis assegura a quem pertence os direitos sobre as terras e, até hoje, esse sistema se baseia em papel. Na Amazônia, assim como em todo o país, encontramos cartórios com livros se desfazendo, documentos esfarelados, perdidos, e informações imprecisas. O sistema, como um todo, não vem oferecendo a segurança que deveria", apontou Antonio Carlos Alves Braga Junior, juiz auxiliar da presidência do CNJ e membro do Comitê de Assuntos Fundiários do Conselho.
Ao todo são 533 cartórios, distribuídos nos nove Estados da região. Se as ações nesses Estados derem certo, o trabalho se replicará nas demais regiões brasileiras. A medida faz parte do Plano Nacional de Modernização dos Cartórios da Amazônia Legal, coordenado pelo CNJ.
Dentre as medidas que devem ser sugeridas pela Comissão, estão criação de softwares; informatização de serviços; restauração de livros; capacitação de servidores do Poder Judiciário e serventuários de cartórios e a elaboração de repositórios digitais destinados ao arquivamento desses milhões de documentos.
No ano passado, um acordo de cooperação firmado entre o CNJ e o Incra disponibilizou R$ 10 milhões para custear pesquisa, compra de equipamentos de informática, produção de software de registro eletrônico e a realização de cursos de capacitação.
O detetive da memória
O paranaense Rui Sampaio foi o precursor da hipnose forense na América Latina. Método ajudou a elucidar cerca de 700 crimes no Paraná
Publicado em 10/04/2011
BRUNA MAESTRI WALTER
No final da década de 1970, as irmãs adolescentes Rute e Rita tomaram uma decisão corajosa: deixar o irmão mais velho, Rui Fernando Cruz Sampaio, então com 20 anos, hipnotizá-las. Estudante de Psicologia, Sam¬paio tinha acabado de ler um livro sobre hipnose e ficou impressionado. Como o método não era bem aceito na época – praticamente não existia literatura nem cursos sobre o assunto –, o jeito foi convidar as irmãs para poder aprender na prática. Autodidata, ele começou a atender familiares e amigos na casa da família, na Lapa, na Grande Curitiba. Mal sabiam as cobaias que estavam colaborando para uma iniciativa que, no futuro, se tornaria inédita na América Latina.
Por gostar de investigação e assuntos científicos, o jovem também ingressou na carreira de perito criminal no Instituto de Criminalística do Paraná, em Curitiba. Gostava da profissão, mas tinha algo que o intrigava: a dificuldade de testemunhas e, principalmente, de vítimas em descrever o criminoso. “A tendência da nossa mente é esquecer o que é desagradável”, conta. Desfazer esse trauma poderia ser uma das chaves para conseguir mais pistas e Sampaio começou a se questionar se a hipnose não poderia ajudá-lo.
Criada no século 19, a hipnose é um instrumento médico psicológico que busca desfazer a amnésia. Ao contrário do que muita gente pensa, é um estado intermediário entre estar acordado e em sono profundo. Durante o transe, a pessoa continua consciente e pode, sim, mentir. Ela é convidada a regressar à lembrança de fatos passados e, quanto mais profundo o estímulo, mais os detalhes vêm à tona.
Munido dessas informações, Sampaio procurou a chefia do Instituto de Criminalística na época e apresentou a proposta. Acrescentou o fato de ter concluído o curso de Psicologia e iniciado o de Medicina. Os superiores olharam com certa desconfiança, mas permitiram a realização de consultas experimentais em 1983.
Sampaio foi desenvolvendo a técnica na prática e montou uma espécie de código de ética na hipnose forense. Uma das regras é que somente testemunhas e vítimas com amnésia total ou parcial seriam submetidas ao método, desde que consentissem. Os suspeitos, réus e indiciados ficariam de fora porque, pela legislação, ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Também os casos mais graves seriam medicados antes das sessões.
Primeiro caso
Definidas as regras, chegava a hora de atender o primeiro caso. Atropelamento, uma vítima, uma testemunha que não se lembrava de detalhes e poucas provas. “Era um caso sem solução”, diz o perito. O frentista que tinha visto o acidente aceitou ser submetido à hipnose, 40 dias depois de o fato ter acontecido. Durante a sessão, ele lembrou que o atropelamento foi provocado por uma Kombi e que um caminhão de mudanças com o logotipo de uma empresa havia tentado impedir a fuga do veículo.
Os investigadores chegaram ao motorista do caminhão, que no fundo da gaveta tinha guardado o número da placa da Kombi, usado em uma aposta no jogo do bicho. A Kombi foi encontrada e a perícia mostrou que havia ali resquícios de sangue. Diante das evidências, o dono do veículo confessou o crime.
Nas várias sessões de hipnose surgiam detalhes que auxiliavam na produção de retratos falados, na descoberta de mais testemunhas e na busca por provas. A desconfiança inicial com o trabalho do perito foi sendo diluída a partir do momento que o método começou a dar resultados (leia mais nesta página). Em 1999, estava instalado o Laboratório de Hipnose Forense do Paraná, iniciativa pioneira na América Latina, segundo Sampaio.
700 sessões
Na sala com poltronas e vidro espelhado, ele calcula ter feito mais de 700 sessões e diz que em praticamente todas elas conseguiu alguma pista que ajudasse na investigação. A chave estava no uso do poder da fala, em tom baixo e monótono, que fazia a pessoa entrar em transe e rever a cena do crime – entonação que pode fazer com que até a repórter se perca na entrevista.
Só que a iniciativa considerada de sucesso chegou ao fim em 2008. Sampaio se aposentou e não havia ninguém qualificado para assumir a função, além de o Instituto de Criminalística começar a registrar necessidades consideradas mais urgentes. Enquanto isso, outros estados (como São Paulo) buscam implementar a iniciativa em moldes semelhantes ao do pioneiro Paraná, onde o Laboratório de Hipnose Forense parece ter regredido de vez.
Casos resolvidos
Veja alguns dos crimes mais emblemáticos solucionados com o auxílio da hipnose:
Sem identidade
Um jovem de 22 anos não sabia nada sobre sua identidade. Ele trabalhava em uma delegacia da região metropolitana de Curitiba. Fã de Michael Jackson, foi apelidado de Michael. Em 2002, diversos exames não encontraram nenhuma anomalia. Submetido à hipnose, falou durante uma das sessões o nome de duas cidades: Esplanada (BA) e Estância (SE). Policiais receberam a informação que um menino de oito anos tinha sido sequestrado por ciganos e andarilhos numa dessas cidades. As características do menino desaparecido batiam com as de Michael. Ele foi submetido a exames de DNA e chegou-se à conclusão de que os pais dele moravam em uma dessas cidades.
Vítima ou suspeita?
Durante uma sessão de hipnose, a vítima passou a ser a principal suspeita. Um bebê de 40 dias havia sido encontrado morto na região metropolitana de Curitiba. A mãe da criança aceitou se submeter à hipnose e durante a sessão o psicólogo, psiquiatra e perito criminal Rui Sampaio notou que o comportamento da mulher não estava condizente com o de uma vítima. Ela não mostrava comoção. Pela experiência como perito, Rui notou que havia algo estranho e comunicou às autoridades. A mulher passou a ser investigada e o delegado a interrogou novamente. Ela se contradisse na delegacia e a polícia chegou à conclusão de que a mãe havia assassinado a própria filha.
Novo rumo
Depois de um atropelamento que resultou na morte de duas pessoas, há 10 anos, em Ponta Grossa, a polícia começou a procurar por um veículo Ômega bordô. As testemunhas, dois adolescentes que tinham escapado do acidente, diziam que o atropelamento tinha sido provocado pelo motorista que dirigia um veículo com essas características. Os jovens aceitaram se submeter à hipnose e durante a sessão foram taxativos ao falar que se tratava de um Ômega azul. A polícia mudou o rumo da investigação, encontrou o veículo abandonado em um barracão e não demorou a localizar o atropelador.
70 anos do ‘Rei‘ Roberto
9 de abril de 2011
JT
JT
Bolo de aniversário será cortado no palco, dia 19, em Vitória (ES): o ‘Rei’ não quer nem ouvir falar em aposentadoria e tem planos para os próximos dez anos
Bossa novista, roqueiro, crooner sinatriano, romântico, ativista ambiental, bolerista, baladeiro, trilheiro de motéis, sertanejo, funky, soulman. Em 51 anos de carreira, é um leque de amplidão admirável, incomparável no songbook de qualquer artista vivo.
Em sua figura, fundem-se Beatles e João Gilberto, o carola e o conquistador, o amante dos carangos envenenados e o inimigo dos hábitos perigosos. É o santo e o herege, o revolucionário e o conservador. Maior ídolo popular do País, Roberto Carlos completa 70 anos no próximo dia 19 – e não poderia ser de outra forma: nesse dia, apaga as velas do seu bolo no palco do Ginásio Álvares Cabral, em Vitória (ES), às 21h30. Ingressos custam de R$ 100 a R$ 320 e é show beneficente.
Há 45 anos, quando de sua assunção como ídolo do emergente iê-iê-iê, o chamavam de Rei da Juventude. Hoje, ficou apenas o título nobiliárquico, ‘Rei’, porque a idade de suas plateias tornou-se elástica – pode-se encontrar gente de 8 a 80 anos cantando suas canções nos shows.
“Eu não sei ser Rei, só sei cantar”, diz o artista capixaba. São 70 anos de idade e 56 anos de gravações – a primeira vez que sua voz foi gravada foi em 1955, num registro feito pelo radialista e cantor Genaro Ribeiro em discos de alumínio de gravações experimentais.
Roberto está longe de se comportar como um ídolo no crepúsculo. “Não penso em aposentadoria, porque vou continuar trabalhando, vou continuar cantando”, disse o artista, no Rio, em dezembro. “Ainda quero realizar muito mais, principalmente no tema do amor.”
Jotabê Medeiros
Cracolândia terá mais da metade da área demolida
9 de abril de 2011
Tiago Dantas
Tiago Dantas
O projeto Nova Luz pretende mudar a cara de 60% do perímetro formado pelas avenidas Ipiranga, São João, Duque de Caxias, Cásper Líbero e Rua Mauá, no centro da capital. Cerca de 300 mil metros quadrados da cracolândia, o equivalente a 63 campos de futebol como o Morumbi, deverão ser desapropriados para que prédios residenciais e comerciais, estacionamentos, praças e equipamentos culturais saiam do papel.
Um estudo preliminar de viabilidade econômica do projeto aponta que seria necessário cerca de R$ 1,1 bilhão para a compra de todos esses imóveis, a demolição deles e a remoção do entulho. O pagamento de valores de mercado pelos terrenos é uma das reivindicações de moradores e comerciantes da região, que temem receber o valor venal, que é mais baixo. Outro pedido é que ninguém seja obrigado a deixar o bairro.
Questionada sobre os números, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, pasta responsável pelo projeto, informou que “foram estimativas baseadas em várias metodologias e de forma preliminar”, o que significa que o valor ainda pode ser alterado. A secretaria disse, também, que “deverá o concessionário, preferentemente à desapropriação, efetuar entendimentos com o proprietário do imóvel para eventual composição amigável”.
Ainda não há prazo para o lançamento do edital que escolherá a empresa que ganhará a concessão do perímetro. Em troca da realização das obras, esse grupo poderá lucrar com a venda dos novos imóveis. A escolha da construtora da Nova Luz só poderá ser feita depois que o projeto urbanístico estiver pronto. Inicialmente prevista para ser entregue neste mês, a proposta definitiva deverá ser apresentada até o fim de junho, segundo a Prefeitura.
O plano está sendo elaborado desde 17 de junho do ano passado pelo Consórcio Nova Luz, formado pelas empresas Concremat Engenharia, Cia.City, Aecom e Fundação Getúlio Vargas. O arquiteto e urbanista Cândido Malta Campos Filho aprovou o pré-projeto, apresentado em dezembro pelo consórcio.
“Gostei dos princípios: primeiro, o privilégio aos pedestres, com o alargamento de calçadas. Segundo, o reconhecimento dos eixos comerciais, resguardando o direito dos comerciantes. Terceiro, por ter bulevares arborizados e permitir habitações de baixa renda”, disse Malta.
A também urbanista Lucila Lacreta, diretora do Movimento Defenda São Paulo, mostrou sua preocupação com a concessão de 45 quarteirões da cidade para a iniciativa privada. “Numa concessão, a empresa presta um serviço para a sociedade, como a Eletropaulo, por exemplo. Na Nova Luz, a empresa que vencer a concessão vai desapropriar terrenos baratos para construir prédios maiores e mais caros para ela própria. Cadê o interesse público nisso?”
Embora prometa mudanças em 60% do terreno, o plano deve mexer em 28% da área construída no perímetro. Os arquitetos do consórcio responsável pelo projeto de revitalização argumentam que a maior parte dos locais identificados como passíveis de desapropriação já estão vagos.
O consórcio ressalta, ainda, que pelo menos 89 prédios tombados do bairro serão reformados. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano informou, por nota, que “este número pode oscilar e por conta disso não pode ser considerado definitivo” e que “o projeto está sendo aprimorado, contando inclusive com participação da comunidade local”.
sábado, 9 de abril de 2011
Walderez é uma sobrevivente do naufrágio que jogou o país na Segunda Guerra
Walderez aponta a amiga Beatriz, filha do comandante Tito Canto, em foto de sobreviventes. As duas brincaram juntas no navio
Marcelo Monteiro
DIÁRIO SP
Walderez Moura Cavalcante, de 73 anos, foi protagonista de um dos episódios mais impressionantes ocorridos no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Náufraga de uma das 37 embarcações brasileiras torpedeadas por submarinos alemães e italianos, a alagoana - à época, uma garotinha de 4 anos de idade - foi resgatada depois de permanecer durante horas boiando no mar, dentro de uma caixa de madeira de Leite Moça.
Em 17 de agosto de 1942, o submarino alemão U-507 afundou dois cargueiros nacionais na costa da Bahia. Às 10h40, uma segunda-feira, o Itagiba - navio da Companhia Nacional de Navegação Costeira - foi atingido por um torpedo, abaixo da escotilha do porão número 3, e acabou indo a pique em cerca de oito minutos.
Cerca de duas horas e meia depois, o mesmo submarino voltou a atacar, torpedeando desta vez o Arará, da companhia Lloyd Nacional, que havia parado para socorrer os náufragos do Itagiba. Atingido na altura da casa das máquinas, o navio desapareceria nas águas em apenas três minutos. Dezoito náufragos do Itagiba que haviam sido socorridos pelo Arará virariam náufragos pela segunda vez, em um intervalo de poucas horas. No total, 56 pessoas morreram nos dois atentados.
Uma sobrevivente
Filha do homem de convés Otávio de Barros Cavalcante, a pequena Walderez brincava com uma vassoura próximo à popa, quando o Itagiba tremeu violentamente com o impacto do torpedo. Levada para uma dos barcos salva-vidas, ela acabou se perdendo do pai que, enroscado em fios de telegrafia, foi puxado para o mar quando o mastro do navio atingiu a baleeira, partindo-a ao meio. Neste momento, alguém - de quem Walderez não se lembra - colocou-a dentro de um caixote de leite condensado vazio, que acabaria salvando a sua vida.
A menina foi a última náufraga a ser resgatada, já durante a tarde daquela segunda-feira, quando seu pai, que também conseguira se salvar, milagrosamente, já perdia as esperanças de reencontrá-la com vida. Para Otávio, a filha era "um presente de Deus" - ambos comemoravam aniversário no 22 de novembro. E, naquele inesquecível 17 de agosto de 1942, a dádiva viera embrulhada em uma reles caixa de madeira.
A menos de dois meses de completar 5 anos de idade - nasceu 1937, em Maceió -, Walderez foi levada para a cidade de Valença, no litoral baiano, onde ficou hospedada por alguns dias na casa do prefeito Admar Braga Guimarães. Enquanto isso, com uma fratura na bacia, seu pai permanecia internado no Hospital Português, em Salvador.
O duplo torpedeamento no litoral baiano não foi o primeiro. Tampouco o que causou mais vítimas entre embarcações do país desde o começo das hostilidades, em fevereiro daquele ano. Mas, provavelmente, tenha sido um dos episódios que mais causaram indignação entre os brasileiros, pela frieza e crueldade demonstradas pelos alemães, ao atacarem um navio que havia parado para socorrer náufragos.
Revoltado, o povo saiu às ruas, em massa, para exigir a tomada de medidas drásticas contra os agressores. Em 22 de agosto, cinco dias depois dos ataques ao Itagiba e Arará, o Brasil decretaria estado de beligerância aos países do Eixo - Alemanha, Itália e Japão - e, exatamente duas semanas após o atentado, anunciaria sua entrada na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados.
Trauma e desconfiança
Durante muitos anos, Walderez evitou tocar no assunto. Primeiro, por não conseguir falar sobre o drama vivido na infância. Mais tarde, quando, enfim, se sentia um pouco mais à vontade para lembrar o episódio, não tinha coragem, pois temia ser tachada de louca. "Imagine alguém dizendo que se salvou em um naufrágio graças a um caixote vazio de leite condensado..."
Há cerca de dez anos, Carla, uma das filhas de Walderez, decidiu mandar uma carta para a Nestlé, fabricante do Leite Moça, questionando se a companhia mantinha alguma documentação que comprovasse o episódio, o que ajudaria a reduzir as desconfianças sobre a história de Walderez. "A empresa nos mandou umas fotos que a minha mãe, inclusive, só tinha visto quando era criança
A imagem da pequena Walderez Cavalcante, com toda a aura de dramaticidade que envolveu o seu salvamento, foi utilizada pelo governo de Getúlio Vargas como forma de chamar a atenção da população para a brutalidade dos ataques alemães, justificando, desta forma, a entrada do Brasil no conflito mundial. O seu retrato era a própria imagem do Brasil, vítima da covardia nazista.
No dia 21 de agosto, a foto da menina apareceu estampada nas capas dos principais jornais da Bahia. Além disso, nos meses seguintes, uma reportagem filmada era veiculada no Cinejornal, produzido pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Vargas, mostrando Walderez, após o salvamento, na companhia do pai, no Hospital Português.
O fato de ter se formado em Psicologia, em Maceió, ajudou a alagoana a superar parte do trauma. Hoje aposentada, depois de exercer a profissão por duas décadas, Walderez consegue tratar do assunto com alguma naturalidade.
Em visita à filha Carla, Walderez aproveitou uma recente passagem pela capital gaúcha para pesquisar sobre o acontecimento. Ao rever a foto do Itagiba na capa de um jornal da época, ela se emocionou, cobriu a imagem e lamentou: "Ainda lembro daquele apito (do navio). Horrível. Foi como um último grito antes da morte."
Lúcida e bem articulada, Walderez revela, nesta entrevista exclusiva, tudo o que lembra daquele fatídico 17 de agosto de 1942.
PM explica ‘expulsão’ do cão Pirata
JT 8 de abril de 2011
A Polícia Militar divulgou nesta sexta-feira, 08, comunicado informando oficialmente o destino do cachorro Pirata. Na edição de quinta, o JT divulgou a história do animal, que tem cerca de 9 anos, é cego de um olho e foi expulso da 2ª Companhia do 2º Batalhão de Trânsito no Jardim Anália Franco, zona leste, onde vivia. Moradores e comerciantes próximos ao batalhão protestaram contra a saída do cão que havia sido determinada pela nova comandante.
A nota da corporação afirma que: “em uma época em que vemos nos meios de comunicação pessoas insanas matando crianças indefesas dentro da sala de aula, a Polícia Militar se alegra em poder esclarecer a toda população de bem, preocupada com o ‘paradeiro’ e o bem estar de um cãozinho – o Pirata – que muito fez pela própria PM, a verdadeira história de amizade entre os policiais e o cão.
‘Pirata’, nome carinhoso que recebeu dos policiais militares, chegou na Companhia da Polícia Militar do Tatuapé há nove anos, triste, magro e cego de um olho, além do nome, os policiais acolheram o animal, dando comida, atenção e muito carinho e essa ‘amizade’ sempre foi fiel dos dois lados, tanto que o cãozinho auxiliou os policiais em algumas ocorrências”.
O documento prossegue informando que a nova comandante da companhia, capitão Denise Pereira Pinto, “primeira mulher da Polícia Militar a ser voluntária e integrar a Força de Paz da ONU, em Kosovo, se preocupou em dar um lar de verdade ao cãozinho”. Diz o comunicado, que primeiro se verificou com os policiais do batalhão se alguém poderia adotá-lo. Como isso não foi possível, ele foi doado para uma família no Pari, zona norte.
A nota explica que Pirata foi bem acolhido e finaliza afirmando que “uma família é o melhor que ele pode ter nessa altura da vida”.
O voo alto da ararinha
7 de abril de 2011 JT
FELIPE BRANCO CRUZ
Em 2009, a maior bilheteria nos cinemas do Brasil foi A Era do Gelo 3, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, 42 anos, e que teve 9 milhões de espectadores. Hoje, Saldanha lança mais um longa de animação no País. Trata-se de Rio, uma homenagem à cidade em que o diretor nasceu. O filme tem potencial de bater todos os recordes. A expectativa dos produtores é fazer mais de 10 milhões de espectadores no Brasil. O número é pouco menor do que os 11 milhões de Tropa de Elite 2. Mas Rio, uma superprodução de US$ 90 milhões, pode levar ainda mais gente aos cinemas. É que a animação será lançada em 1 mil salas do País, um recorde nacional e quase 50% superior ao número de salas de Tropa 2: 696.
No mundo, Rio será um dos maiores lançamentos do estúdio 20th Century Fox. Ao todo, o filme será lançado em 150 países, com público esperado de 160 milhões de pessoas, uma divulgação sem precedentes para o Brasil e para a cidade do Rio de Janeiro. Para se ter ideia, a veiculação do trailer de 30 segundos de Rio, durante o Super Bowl – a final do campeonato de Futebol Americano dos EUA –, foi vista por 111 milhões de pessoas. Para tanto, a Fox desembolsou US$ 3 milhões, o dobro da verba anual que o Rio destina à promoção da cidade no exterior.
O longa conta a história da ararinha azul Blu (Jesse Eisenberg dubla em inglês e Gustavo Pereira, em português), que é capturada na Floresta da Tijuca. Ela é levada para o gelado estado do Minnesota, nos Estados Unidos, onde é criada por Linda, uma garota nerd, dona de uma loja de livros. O pássaro é criado como um animal de estimação e não aprende a voar. Até que o ornitólogo Túlio (Rodrigo Santoro dubla em português e inglês) diz que Blu talvez seja o último macho de arara azul no mundo e que há uma fêmea da espécie no Brasil. É a chance de salvar a ave da extinção. Quando chega ao Rio, Blu se encanta com a exuberância da natureza e se mete em diversas confusões para ficar com Jade (dublada por Anne Hathaway, em inglês, e Adriana Torres, em português), a ararinha azul fêmea.
O filme tem o mérito de apresentar uma cidade deslumbrante, assim como o turista vê o Rio de Janeiro: lindas praias e mulheres, belas paisagens e os pontos turísticos, como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Mas a animação também fala diretamente com os cariocas ao mostrar personagens engraçados, como a arara Rafael (que é amigo de todos), além da malandragem tipicamente carioca. As mazelas não ficaram de fora. O filme mostra a favela, os traficantes de animais e os pequenos ladrões, incorporados por micos que vivem nas encostas do Pão de Açúcar e roubam celulares e relógios dos turistas.
Carnaval na Sapucaí
Outro cuidado que o diretor Carlos Saldanha teve foi com a reconstrução da cidade. É incrível a beleza com que ele recriou os pontos turísticos e também um belíssimo desfile de carnaval na Marquês de Sapucaí. Outro mérito do filme é fazer com que o Rio de Janeiro seja parte integrante da história. Ou seja, a cidade é tão presente que o espectador não conseguirá imaginar nenhum outro lugar do mundo como cenário perfeito para a animação.
A conclusão é de que, realmente, o filme tem grande potencial de passar uma excelente imagem ao exterior do Brasil, mesmo com todas as nossas mazelas sociais. Chega a ser lugar-comum afirmar, mas os olhos do mundo estão, mais do que nunca, voltados para o Brasil, com a escolha da sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Mas o público-alvo são as crianças. Rio não é uma daquelas animações com piadas de duplo sentido, direcionadas também aos adultos. Ele é simples, belo, leve e engraçado. Uma deliciosa história, tipicamente carioca.
sábado, 2 de abril de 2011
Ozzy Osbourne
'Não sou o mais louco do rock', afirma Ozzy Osbourne
Em coletiva de imprensa realizada em São Paulo, 'príncipe das trevas' afirma que desconsidera o título (o Estado de São Paulo) 01 de abril de 2011
Depois de passar por Porto Alegre, Ozzy Osbourne desembarcou na capital paulista nesta sexta-feira, 1, para uma coletiva de imprensa no hotel Tivoli Mofarrej. Em clima descontraído, o "príncipe das trevas" falou aos jornalistas sobre sua volta ao Brasil, o recente álbum Scream, lançado em 2010, e que não pretende disputar o título de mais "louco" do rock com Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones. O ex-vocal do Black Sabbath fará show neste sábado, 2, na Arena Anhembi, em São Paulo. Bem-humorado, Ozzy chegou à sala de imprensa sorrindo. Inteiramente de preto e usando seu tradicional par de óculos escuros, ele não demorou para esbanjar simpatia e fazer brincadeiras. Perguntado sobre os rumores de que esta seria sua última turnê, o cantor foi enfático: "As pessoas sempre falam isso. Não vou parar de subir aos palcos nem quando estiver morto. Quero continuar produzindo discos. Estou muito animado para o show deste sábado", disse. Ozzy também afirmou ter ótimas recordações do país - esta é a quarta passagem dele pelo Brasil - e relembrou sua performance na primeira edição do Rock In Rio, em 1985: "Foi uma ótima experiência. Lembro de várias coisas. Um dos maiores palcos da minha vida. As pessoas cantavam em coro. Eu adoro vir ao Brasil. Assim como eu, todos são apaixonados por música", relatou. O 'príncipe das trevas' também não perdeu a oportunidade de alfinetar dois dos maiores ícones da música pop atual: Lady Gaga e Justin Bieber. "Estou sempre me renovando musicalmente, ouço bastante coisa nova. Eu até escutava, como é mesmo o nome dela? Lady Gaga, não? Mas agora ela está chata para caramba, não consigo mais", desabafou. Sobre Justin Bieber, Ozzy foi direto: "Não, eu não escuto Justin Bieber nem aqui e nem no inferno", brincou. Recentemente Ozzy gravou um comercial para o Super Bowl com a participação do astro teen. "Modesto", Ozzy não quis comparar sua biografia - I'm Ozzy (2010) - com a de Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones: "Tenho muitas histórias. Daria para escrever até duas biografias. Não li o livro do Keith, mas creio que não fique atrás". Sobre o título de mais louco, Ozzy preferiu não entrar em polêmica: "Eu aprontei bastante, usei muita droga, e ele também. Tive a oportunidade de encontrá-lo algumas vezes, mas conversamos pouco. Deixo que vocês da imprensa determinem isso. Somos todos loucos", disse em português. Os show de sábado faz parte da turnê de divulgação do último álbum do artista, Scream (2010), que já rodou a Europa e os Estados Unidos. A abertura ficará por conta do Sepultura. Na volta ao Brasil, Ozzy se apresenta ainda em Brasília, em 5 de abril; Rio de Janeiro, no dia 7; e Belo Horizonte, dia 9.
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