domingo, 22 de novembro de 2015

Caricaturas: nasce a República

by marcia
Na Semana da República, entre os dias 15 e 22 de novembro, a Casa Histórica do Marechal Deodoro, com o Projeto Janelas Abertas para a República, estará oferecendo ao público visitas guiadas gratuitas pelo entorno do Campo de Santana. Serão sete diferentes percursos, com ênfases diferentes, orientados e interpretados por guias recém-formados pelo Curso de Turismo do Colégio Estadual Antônio Prado Júnior.
Todos os roteiros terão como ponto de apoio e de saída a Casa Histórica de Deodoro, que, além do seu acervo permanente, contará com a Exposição de Caricaturas “Nasce a República”, com curadoria das equipes envolvidas. Esse projeto, apoiado pela FAPERJ, tem parceria da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército e a colaboração de diversas instituições do entorno do Campo de Santana.
Datas: Todos os dias da semana de 15 a 22 de novembro.
Saídas: às 10h e às 13h. Sexta, sábado e domingos saídas extras às 11h e às 14h.
Local: Casa Histórica de Deodoro. Praça da República, 197 - Rio de Janeiro.
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“A idade não tem podido contra um coração todo seu”, carta de D. Pedro II à condessa de Barral

by marcia

Depois de mais de trinta anos de amizade com a condessa de Barral, o imperador D. Pedro II sofre as saudades da distância que os separa: ele no Rio de Janeiro, ela em Roma.
Rio de Janeiro, 7 de junho de 1880
Condessa,
Cheguei às oito e meia para nove horas da manhã.
Careço de tempo para copiar as notas de minha viagem que muito me agradou. O Paraná é uma bela província de grande futuro. O frio fortificou-me, chegou numa manhã em Curitiba a dois graus abaixo de zero. Não imagina quanto você me faltou durante essa viagem. Se me quer muito quanto mais lhe quero eu como o melhor consolo para a vida que levo! Felizmente achei suas duas cartas acabadas a 30 de abril e a 4 de maio. Creia que a todas queimo e que preciso de que você me diga tudo e tudo. Sou o mesmo que lhe inspirou tamanha afeição e de nada me esqueço, tudo revivendo em mim com o mesmo viço de uma afeição de trinta e tantos anos.
Ah se lhe contasse tudo o que imaginei nas lindas noites dos campos do Paraná! A idade não tem podido contra um coração todo seu. Desculpe-me se lhe falo assim. Você sabe como a estimo, e tudo posso dizer a quem tão bons conselhos sempre me deu. Ah se você estivesse agora aqui ou eu em Roma, como apreciaríamos nossa afeição inabalável! Mais quisera dizer, po­rém prefiro que você adivinhe tudo o que eu acrescentaria ao que já escrevi. Vou ler para poder dormir. Adeus! E ainda adeus!
Mande-me como puder em sua próxima carta um pouco do que você sente por mim tão e tão longe de quem lhe quer cada vez mais. Adeus!
Vou enfim dormir.
Ontem, logo que cheguei e aviei, o mais urgente fui ver o reservató­rio de água do Pedregulho. Examinei bem a direção da fenda em quase toda uma diagonal do canto de noroeste ao de sudeste. Pode ser causa local, e a comis­são nomeada e composta de competentíssimos dará brevemente seu parecer. Rachas semelhantes sem rumo das obras têm-se dado em reservatórios cons­truídos sob a direção dos mais hábeis engenheiros. Voltei à barafunda política e amanhã já terei despacho à noite. O resto da semana será ocupado principalmente com as festas do tricentenário de Camões. Creio que serão brilhantes. O nosso conhecido Hermann fez aqui na minha ausência pelotices surpreendentes. Espero vê-lo quando tiver voltado de São Paulo. Hoje e todos estes dias muito tenho que ler para ficar um pouco em dia. Esta carta lhe será levada pelo paquete de amanhã de manhã. Esta noite já há um festejo teatral em honra de Camões. Faz calor. Amanhã ou depois chegará vapor francês. Ando sempre sôfrego de suas cartas. A impaciência é compa­rável a que tanto me fazia sofrer como você recorda em uma de suas cartas. Por que havíamos de viver tão longe um do outro? Se eu lhe aparecesse agora em Roma o que faria você? Eu transporto-me até lá nas asas da minha imagi­nação e aqui lhe mando tudo e tudo. Não se zangue comigo e console-me como quando me via aflito na […].[1] Aperte a mão de
Seu amigo de sempre
Ainda aqui lhe mando as minhas saudades – como brotão e rebrotão!
....................................................
Alcindo Sodré. Abrindo um cofre. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1956.
[1] N.E.: Palavra ilegível.
FONTE: Correio IMS.
nº2Retrato_da_condessa_de_Barral_e_Pedra_Branca,_1865
D. Pedro II e a condessa de Barral: mais de 30 anos de amor e amizade.
Saiba mais sobre essa empolgante história em:
“Condessa de Barral – a paixão do Imperador“, de Mary del Priore. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2006.
dica3
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“Cultura e Opulência do Brasil” recebe o selo Memória do Mundo – Brasil

by marcia

O livro “Cultura e Opulência do Brasil”, publicado em 1711 por um jesuíta sob o pseudônimo André João Antonil, é a primeira obra impressa do acervo de Obras Raras da Biblioteca Nacional (BN) a receber o registro do programa Memória do Mundo – Brasil, da Unesco.
A candidatura, submetida para análise do comitê nacional do programa Memória do Mundo em julho deste ano, foi fundamentada em aspectos relativos à importância da obra e à qualidade do exemplar do acervo da BN. “Conseguir o registro para uma publicação impressa é difícil, porque concorremos com manuscritos e outros documentos que constituem exemplares únicos”, explica Ana Virginia Pinheiro, chefe do acervo de Obras Raras. No caso deste livro, ela conta que existem apenas sete peças conhecidas no mundo, pois logo após sua publicação, no início do século XVIII, a edição foi proibida e a tiragem, destruída. Isso porque a Coroa Portuguesa considerou inoportuna a disseminação de informações estratégicas sobre as riquezas do Brasil, incluindo dados sobre os engenhos de açúcar, tabaco e gado, bem como a localização das minas de ouro e prata. “Só se salvaram os exemplares que tinham sido doados antes da proibição, e poucos se preservaram até hoje”, diz.
A obra, que consta no arquivo da BN, é um item de cofre, que foi microfilmado e digitalizado para facilitar a consulta pelos usuários. O original entrou no acervo em 1911, e sua origem, que pode ser traçada com segurança, foi documentada no pedido de registro encaminhado ao comitê da Unesco. Depois de pertencer a diversos colecionadores que a negociaram ou doaram, a peça acabou sendo incorporada à biblioteca de José Carlos Rodrigues, que foi adquirida por Julio Benedicto Ottoni e doada à BN.
O livro foi digitalizado e está disponível para leitura na BNDigital:http://objdigital.bn.br/acervo…/div_obrasraras/or1320141.pdf
culturaeopulencia
FONTE: Fundação Biblioteca Nacional

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A biblioteca pessoal de Fernando Pessoa disponível para consulta

A biblioteca pessoal de Fernando Pessoa disponível para consulta

by marcia
A Casa Fernando Pessoa possui um tesouro único no mundo: a biblioteca particular desta figura maior da literatura. É muito raro conseguir-se encontrar a biblioteca inteira de um escritor com a dimensão universal de Pessoa. Os livros tendem a mover-se muito depressa: emprestam-se, perdem-se, vendem-se. Pessoa também vendeu alguns – mas deixou-nos 1.142 volumes, de todos os gêneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.
Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se patrimônio da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida.
Graças à dedicação de uma equipe internacional de investigadores coordenada por Jerônimo Pizarro, Patricio Ferrari e Antonio Cardiello foi possível digitalizar, na íntegra, toda a biblioteca. Graças ao apoio da Fundação Vodafone Portugal foi possível colocar online cada uma das páginas digitalizadas. Deste encontro de entusiasmos generosos resultou a disponibilização gratuita da preciosa biblioteca do autor de O Livro do Desassossego , que agora pertence aos leitores em qualquer parte do globo. Procuramos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacamos páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros.
Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.
Inês Pedrosa - Casa Fernando Pessoa
Para ter acesso ao acervo, acesse o link abaixo:
fernandopessoa

Propaganda, História e Memória

by marcia
Por Natania Nogueira.
Uma das coisas mais interessantes em se pesquisar periódicos antigos é observar os anúncios que neles são veiculados. Anúncios de venda de imóveis ou de elixires poderosos que prometem acabar com os “males femininos” ou trazer de volta a energia da juventude. Podemos viajar pela História simplesmente nos atendo às propagadas de jornais e revistas.
Tentativas de se vender determinados produtos, estes anúncios tornam-se valiosas fontes de informações históricas. Um anúncio de venda de escravos ou de recompensa pela captura de escravo fugitivo pode ajudar a reforçar teses sobre a população escrava em determinada localidade e suas tentativas de resistência ao cativeiro. A oferta de remédios para determinadas moléstias nos diz muito sobre a saúde pública, sobre as doenças mais comuns e sobre as formas como eram tratadas.  A oferta de vagas em escolas particulares nos ajuda a traçar um perfil da rede de ensino que se formava em determinada época, em determinada localidade. Pequenas informações que ajudam a compor o mosaico da História.
A inauguração da imprensa nacional, com a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil inaugura, também, a era da propaganda, que já ultrapassa respeitáveis 200 anos. A história da propaganda no Brasil começa com a Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808, com seus primeiros anúncios de venda de imóveis, e passa pelas centenas de periódicos que surgiram, na Corte e em pequenas cidades, localizadas nas mais distantes regiões do Brasil, no século XIX.
Os anúncios ou propagandas ilustradas demorariam um pouco mais. Elas começariam a se popularizar a partir de 1875, quando o Mequetrefe e o Mosquito inauguraram os primeiros “reclames ilustrados”. A partir de então outros jornais e, posteriormente, revistas passaram a dedicar um espaço cada vez maior às ilustrações (desenhos, litogravuras e logotipos), que passaram a ocupar até páginas inteiras. Ao lado de charges e quadrinhos, estas propagandas ilustradas tornaram-se características das publicações veiculadas a partir de 1875, em todo o Brasil.
São imagens que divertem, contam histórias e são registros importantes da memória nacional. Propagandas e anúncios ilustrados podem ser fontes para História local. Mais do que isso, podem ser utilizadas como forma de se ensinar esta história e, ao mesmo tempo, trabalhar educação patrimonial e memória. Devidamente contextualizados, jornais e revistas podem dialogar e enriquecer o ensino de História, além de colaborar para a construção da história local.
Um simples anúncio de propaganda pode tornar uma aula de História mais interessante. E as ferramentas estão ao alcance de professores. Atualmente, temos disponíveis para consulta, download e impressão, milhares de páginas de jornais e revistas brasileiras e estrangeiras, permitindo ao professor ensinar e produzir história com seus alunos. Pequenas iniciativas, a partir de pequenos fragmentos da História, podem ajudar a formar uma juventude mais crítica e capaz de reconhecer a importância da sua nossa História.

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