segunda-feira, 26 de outubro de 2015

As marcas da Inquisição em São Paulo

As marcas da Inquisição em São Paulo

by marcia
O período da Inquisição em Portugal (1536-1821) deixou marcas e vítimas em São Paulo. Ao contrário do que se pensa, houve, sim, Inquisição em São Paulo, inclusive com Visitação do Santo Ofício.
Fizeram-se fintas (cobrança de impostos) exclusivas a cristãos-novos, registraram-se ondas de denúncia e caça aos judaizantes. Paulistas e parentes seus, tanto em São Paulo como em outras partes do Brasil ou de Portugal, foram jogados aos porões da Inquisição. Alguns acabaram executados ou levados à loucura por não compreenderem o ‘crime’ que tinham praticado, outros morreram por tortura ou por doenças adquiridas pelas condições insalubres dos cárceres.

Lançamento: Cristãos-novos em São Paulo (séculos XVI-XIX): assimilação e nobilitação, de Marcelo Meira Amaral Bogaciovas, com prefácio de Mary Del Priore. São Paulo: ASBRAP, 2015.
Em Portugal o livro será comercializado pelo Geneall. No Brasil, o livro será vendido, no dia do lançamento, 7 de novembro, ao preço especial de R$ 50,00. Após essa data: R$ 55,00, mais despesas do correio (para o Brasil). O livro poderá ser adquirido através do e-mail: contato@asbrap.org.br.
O lançamento será em 7 de novembro, das 9 às 17 horas, no Mosteiro de São Bento, no centro da cidade de São Paulo, durante o Simpósio sobre a documentação do Tribunal do Santo Ofício: Suporte para a pesquisa genealógica e atribuição de cidadania portuguesa aos descendentes de cristãos-novosEntrada gratuita.
O acervo da Biblioteca Genealógica da ASBRAP (Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia) está disponível ao público no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Veja a relação do acervo na página: http://www.asbrap.org.br/instituc/relacaodoacervodabibliotecagenealogicadaASBRAP.htm.

História: Escravidão nas Américas - Rafael de Bivar Marquese

domingo, 25 de outubro de 2015


As leis suntuárias e a roupa da morte

by marcia
A roupa, na sua forma, cor e substância significou, durante o Antigo Regime, ou seja, entre os século XVI e XVIII, uma condição, uma qualidade, um estado. Não havia dúvidas quanto a isso. Instrumento de regulação política, social e econômica as “leis suntuárias” existiam para manter visíveis os níveis sociais de quem se vestia. O luxo de tecidos e bordados era apanágio da aristocracia. Seus membros não podiam ser confundidos com os das camadas emergentes. Codificando cortes, materiais, tinturas, ela garantia marcas de poder, intensificando-lhes o brilho. Semelhante ao que ocorre, hoje, com o uso de roupas de griffe? Não. Muito mais rígido.
A roupa, entre os séculos XV e XVIII tinha um papel político-social. Ela funcionava como signo de hierarquização, de fixidez ou de mobilidade dos grupos. Um exemplo? Em Portugal, judeus, tinham que usar uma carapuça amarela e mouros, uma lua de pano vermelho de quatro dedos, “cosida no ombro, na capa e no pelote” segundo o código português de leis conhecido como Ordenações Filipinas, promulgado em 1603 e que vigorou ativamente no Brasil até 1830. Outro exemplo para que possamos perceber a que ponto tal legislação era restritiva, diz respeito as roupas que se podia ou não, usar durante o luto, chamado então, dó:
“Quando a alguma pessoa falecer pai ou mãe, ou outro ascendente ou filha, ou outro descendente, sogro ou sogra, genro ou nora, ou cunhado, poderá trazer por dó capuz, tabardo ou loba cerrada por tempo de um mês somente, e não serão de mais comprimento que até os artelhos, e daí por diante poderá trazer capa aberta de dó  que não passa de meia perna [...] e os pelotes e roupetas  que trouxerem por dó não serão mais compridas que até cobrirem os joelhos, e não trarão neles, mangas largas”.
O tabardo era uma capa, capote e casacão com capuz e manga. Loba era um tipo de vestido com túnica aberta, sem mangas, que se sobrepunha pela frente e a roupeta, uma veste mais estreita, como a túnica dos jesuítas. Como se pode observar, a imobilidade das linhas, correspondia à imobilidade que se esperava de quem estivesse triste e chorando a partida dos seus. Tais leis suntuárias funcionavam? Sabemos que elas mais freavam, do que impediam o porte de determinadas vestimentas ou tecidos por quem não devia. Um exemplo? Nos finais do século XVII, durante o reinado de Luís XVII, chegou-se a cercear, de acordo com o nível social, a grossura dos galões ou a matéria dos botões. Restritos ao uso masculino, os botões só então passaram a ser usados pelas mulheres, antes obrigadas a manusear um sem número de laços e fitas para fechar suas vestimentas. Mas não há dúvidas de que com a emergência da burguesia e o declínio do feudalismo, têm início a corrida pelo desejo de consumo. Até então as qualidades vestimentares femininas eram baseadas na modéstia e na moderação, como pregava a Bíblia.
No século XVIII tudo se precipita. A gestão das rivalidades entre cortesãos escapa progressivamente aos soberanos e a moda que, desde o Renascimento, parecia ter tendências seculares, adquire sua acepção moderna de tendência passageira, de gosto coletivo e efêmero. É essa, pelo menos, a definição que lhe é dada, em 1690, num dicionário francês. Viajantes estrangeiros de passagem por Paris, ficavam bestificados com o número de boutiques e casas de comércio que ofereciam seus serviços para quem quisesse estar na moda. Cabeleireiros, peruqueiros, sapateiros, tintureiros, perfumistas, bordadeiras, costureiras, lavadeiras, joalheiros, enfim, os mais variados comerciantes eram responsáveis pela multiplicação de conceitos: beleza ou feiura, elegância ou ridículo. Tais prestadores de serviços, eram chamados de “petit-maîtres”, pequenos mestres, pois haviam até especialistas capazes de incrustar insetos microscópicos em joias ou pedras raras em madeiras de cheiro utilizadas na confecção de botões, presilhas  e pentes.- Texto de Mary del Priore. ("Corpo a Corpo com a Mulher", Ed. Senac, 2000).

segunda-feira, 12 de outubro de 2015


Digitalização de documentos da ditadura revela canções inéditas

by marcia
RIO — Uma equipe de 12 pesquisadores do Arquivo Nacional desde o início do ano está levando a cabo um projeto de valor imensurável para a memória da música popular brasileira: a organização e digitalização de todo o acervo musical submetido à censura. Perdidas entre cerca de 77 mil documentos do Serviço de Censura e Diversões Públicas, arquivados pela Polícia Federal de 1968 a 1988, período em que vigorou a censura no regime militar, estão letras esquecidas de artistas como Djavan, Aldir Blanc e Jorge Mautner,entre outros registros valiosos aos quais O GLOBO teve acesso com exclusividade.
Custeado pelo BNDES, o projeto prevê a disponibilização de todo esse acervo ao público pela internet a partir do ano que vem, quando será concluído, facilitando a realização de inúmeras pesquisas acadêmicas, documentários e biografias. No garimpo, os técnicos encontraram as jusitificativas para as proibições de Aldir Blanc (“Antes e depois”, censurada por apresentar “conteúdo erótico”) e Jorge Mautner (“Papoulas e arco-íris”, vetada pelo conteúdo “alienado, extraterrestre”), além de pareceres curiosos sobre letras de Egberto Gismonti e Geraldinho Carneiro (“Corações futuristas”) e Nelson Motta (“Boa viagem”)
Leia a reportagem completa de "O Globo":

Dia das Crianças: a infância no Brasil de antigamente

by marcia
Um dos aspectos mais interessantes da infância no passado era, sem dúvida, o relacionamento afetivo entre pais e filhos. Observado por vários viajantes, ele era considerado excessivo: “O carinho dos pais pelos filhos, enquanto pequenos chega a não ter limites, e é principalmente o pai quem se ocupa com eles, quando tem um minuto livre. Ama-os até a fraqueza e, até certa idade, atura as suas más criações. Não há nada que mais o moleste do que ver alguém corrigir seu filho. Quando marido e mulher saem de casa, seja para visitarem uma família, seja para irem a alguma festa, levam consigo todos os filhos, com suas respectivas amas, e é ainda o pai quem carrega com todo o trabalho, agarrando-se-lhe os pequenos ao pescoço, às mãos, ás abas do casaco”.  Mas “estremecer sobre os filhos, contar estórias, graças, acalentá-los”, como dizia - se, no século XVIII, era considerado coisa de mulher: “Não é coisa pertinente a um homem ser ama nem berço de seus filhos” resmungava o médico Francisco de Melo Franco.
O amor materno, por seu turno, deixou marcas indeléveis nos testamentos de época. Não havia mãe que ao morrer não implorasse às irmãs, comadres e avós, que “olhassem” por seus filhinhos, dando-lhes “estado”, ensinando-lhes “a ler, escrever e contar” ou “a coser e lavar”. A expressão “amor materno” pontua vários destes documentos, revelando a que ponto as mães, no momento da despedida, não tinham os corações carregados de apreensão, temerosas do destino dos seus dependentes. A ama negra, como lembra Gilberto Freyre, deu também sua contribuição para enternecer as relações entre o mundo adulto e o infantil. Criou uma linguagem  na qual se reduplicavam as sílabas tônicas dando às palavras pronunciadas um especial encanto: dodói, cacá, pipi, bumbum, tentem, dindinho, bimbinha. Com tantos mimos, o risco era da criança ficar mole e bamba, cansada e amarela. Padre Gama, já na virada do século XIX voltava a carga contra a criança criada entre resguardos de mães extremosas e amas negras. “O mulequinho quebra quanto encontra”, informa. “E tudo é gracinha; já tem 7 e 8 anos mas não pode ir de noite para cama sem dormir o primeiro sono em o regaço de sua yayá que o faz adormecer balanceando-o sobre a perna e cantando-lhe uma embirrante enfiada de chácaras e cantilenas monótonas do tempo do capitão Frigideira”. Os mimos em torno da criança pequena estendiam-se aos negrinhos escravos ou forros vistos por vários viajantes estrangeiros nos braços de suas senhoras ou engatinhando em suas camarinhas. Brincava-se com crianças pequenas como se brincava com animaizinhos de estimação. Mas isto não era privilégio do Brasil. Nas grandes famílias extensas da Europa ocidental, onde a presença de crianças de todas as idades e colaterais era permanente, criava-se uma multiplicidade de presenças que não deixavam jamais os pequeninos sós. E esses eram tratados pelos mais velhos como verdadeiros brinquedos, da mesma forma, aliás, como eram tratados os filhos de escravos entre nós: engatinhando nas camarinhas de suas senhoras, recebendo de comer na boca, ao pé da mesa, como os retratou Debret. Tais carinhos exagerados ou “os mimos maternos” eram, contudo, vistos por moralistas setecentistas, como o baiano Nuno Marques Pereira como causa para “deitar a perder os filhos”. A boa educação implicava em castigos físicos e nas tradicionais palmadas.
O castigo físico em crianças não era nenhuma novidade no quotidiano colonial. Introduzido, no século XVI, pelos padres jesuítas, para horror dos indígenas que desconheciam o ato de bater em crianças, a correção era vista como uma forma de amor. O “muito  mimo” devia ser repudiado. Fazia mal aos filhos. “A muita fartura e abastança de riquezas e boa vida que tem com ele é causa de se perder” admoestava em sermão José de Anchieta. O amor de pai devia inspirar-se naquele divino no qual Deus ensinava que amar “é castigar e dar trabalhos nesta vida”. Vícios e pecados, mesmo cometidos por pequeninos, deviam ser combatidos com “açoites e castigos”. A partir da segunda metade do século XVIII, com o estabelecimento das chamadas Aulas Régias, a palmatória era o instrumento de correção por excelência: “nem a falta de correção os deixe esquecer do respeito que devem conservar a quem os ensina”, cita um documento de época. Mas, ressalvava, endereçando-se aos professores: “e tão somente usarem  dos golpes das disciplinas ou palmatórias quando virem que a repreensível preguiça é a culpada dos seus erros e não a rudez das crianças a cúmplice de sua ignorância”.
As violências físicas, muitas vezes dirigidas às mães, atingiam os filhos e não foram poucas as famílias que se desfizeram deixando entregues ao Deus dará, mães e seus filhinhos: fome, abandono, instabilidade econômica e social deixaram marcas em muitas das crianças. Não são poucas as que encontramos, nos documentos de época, esmolando às portas de igrejas, junto com suas genitoras. Um processo crime datado de 1756, movido na vila de São Sebastião, São Paulo, por Catarina Gonçalves de Oliveira revela imagens de outras violências: a de pais contra filhos. Nos autos, Catarina revela ter defendido seu enteado, uma criança pequena, de chicotadas desferidas pelo pai, ansioso por corrigir o hábito do pequeno de comer terra. As “disciplinas”, os bolos e beliscões revezavam-se com as risadas e mimos. Mas também com divertimentos e festas.
Nas escolas jesuíticas o lazer ficava por conta do banho de rio e no “ver correr as argolinhas”. Tradição lusa antiquíssima, essas consistiam em uma forma de “justa” na qualquer se deixava pender de um poste ou árvore enfeitada, uma argolinha que devia ser tirada pelo cavaleiro em disparada. “Ensina-mo-lhes jogos que usam lá os meninos do Reino - conta, entusiasmado, o padre Rui Pereira em 1560 - Tomam-nos tão bem e folgam tanto com eles que parece que toda sua vida se criaram nisso”. Brincava-se, também, com miniaturas de arcos e flechas ou com instrumentos para a pesca. Outras brincadeiras: o jogo do beliscão, o de virar bundacanastra, o jogo do peia-queimada além de ritmos, cantos, mímicas feitos de trechos declamados e d e  movimentação aparentemente  livre mas repetidora de um desenho invisível e de uma lógica misteriosa e mecânica. Piões, papagaios de papel e animais, gente e mobiliário reduzidos, confeccionados em pano, madeira ou barro, eram os brinquedos preferidos. A “musicaria” atraía loucamente: crianças indígenas adoravam  instrumentos europeus como a gaita ou o tamboril que acompanhavam, segundo os cronistas jesuítas, ao som de maracas e paus de chuva. A participação em festas com música atraíam crianças de todos os grupos sociais. Alegrando procissões, enfeitados com carapuças cobertas de pedrarias e flores, participavam a coreografias e cantos em homenagem a determinado santo da Igreja católica ou em homenagens aos governadores recém-chegados de Portugal.
Na famosa festa mineira, o Triunfo Eucarístico, realizada em 1734 em Vila Rica, “onze mulatinhos” vestidos como indígenas, enfeitados com saiotes de penas e cocares, levando nas pernas, fitas e guizos, cantaram ao som de tamboris, flautas e pífaros, bailando uma “dança dos carijós”. Festas do calendário tradicional como São João ou Reis, animavam as crianças que iam pular fogueira, subir em mastros e com a invasão dos fogos de artifício, no século XVIII, soltar rojões e estrelinhas. Coadjuvantes nos autos de Natal participavam, devidamente enfeitados como anjinhos ou pastores, e vinham vestidos de estopinha branca, chapéu de palha fabricado com palmas de ouricuri, enfeitado de fitas, tendo a copa coberta de algodão com enfeites de velbutina preta, cajado de fitas, cesta com flores no braço e pequeno pandeiro de folha de Flandres. Debret, de passagem pelo Rio de Janeiro, impressionou-se e reproduziu uma destas crianças, verdadeiro personagem das atuais escolas de samba, vestido com cocar de plumas, joias falsas e figurino sofisticado. - Texto de Mary del Priore

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

domingo, 19 de abril de 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

sábado, 21 de março de 2015

terça-feira, 17 de março de 2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

sábado, 24 de janeiro de 2015

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Comercial Garoto 1995


domingo, 9 de novembro de 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

sábado, 1 de novembro de 2014

domingo, 10 de agosto de 2014

 SEBO (LIVROS)
A palavra teria as seguintes prováveis origens: 1. Antes do advento da iluminação elétrica a leitura era auxiliada pelo uso de velas de onde escorria o sebo para os livros, tornando-os ensebados; 2. Derivaria das sílabas iniciais de ‘SEcond hand BOok’, termo, em inglês, para designar livro de segunda mão. Em rápida consulta na internet li, ainda, mais uma provável origem para o termo: teria relação com o fato de o livro ser manuseado constantemente, o que deixa os volumes engordurados, ‘ensebados’