domingo, 22 de novembro de 2015

República: a desilusão do jovem príncipe

by marcia

Pedro Augusto era jovem, belo, culto, inteligente. Um verdadeiro príncipe. Seu poder de simpatia o fazia estimado em todas as partes da corte. E fora dela, também. Por isso mesmo ele já sabia. Muitos o sabiam. Comentara sobre o assunto, aliás, com os amigos que o visitaram em sua residência na rua Duque de Saxe, na noite anterior. Há algum tempo circulavam denúncias de que oficiais do Exército conspiravam contra a monarquia. Eram avisos anônimos. Pior, avisos sem provas. Difíceis de punir. No mês de novembro, enquanto se festejava a presença de oficiais chilenos na capital, reuniões deixavam vazar o mal estar dos militares. Na noite do baile da Ilha Fiscal, alguns deles se agruparam no Clube dos Oficiais. O príncipe soube, também, que o marechal Floriano Peixoto, pessoa da mais alta confiança do governo imperial, teria rabiscado um bilhete a Ouro Preto dizendo: “Há esta hora deve V. Exa. Ter conhecimento de que tramam algo por aí; não dê importância...confie na lealdade dos chefes que já estão alertas”. Tudo isto, argumentavam os monarquistas, eram “balelas da oposição”. Mas os amigos que frequentavam sua casa afirmavam que neste ambiente de conjuração, seu nome poderia ser a única saída. Se havia modificações a fazer na sucessão do Imperador D.Pedro II era para colocá-lo no trono.
Afinal, a ambição de sua tia em tornar-se imperatriz estava longe de ter sustento. Sim. A princesa Isabel, era respeitada por suas qualidades pessoais: piedosa, boa mãe, esposa dedicada, filha extremada. Mas politicamente? Apenas tolerada. Não era sem repulsa que os políticos – e por que não, os homens de maneira geral – a viam exercer as funções que lhe atribuía a Constituição. Durante a Regência, quando ele estivera fora com o avô, Deus! Quantos conflitos pequeninos ela não criara com Cotegipe, então chefe do gabinete de ministros! Não insultara a Guarda Nacional chamando seus membros de “coronéis de bobagem”? Não sentara um padre estrangeiro, o Núncio do Papa, a seu lado na carruagem, enquanto fazia os brasileiros andarem sempre sentados à frente, como qualquer camarista? Não se negara a assinar a pena de morte de um escravo criminoso, sob alegação de que “ao coração de mulher repugnam certas coisas”? Não sabia dar ordens. Pouco sabia dos negócios públicos e quase nada conhecia da administração. Inadmissível vê-la intrometer-se na formação de Câmaras e gabinetes, nas eleições, na balança dos partidos que ora tinham que pender para um lado, ora para o outro, deixando tudo na mesma. A estratégia era usada com eficiência pelo avô, para ódio de seus detratores. Não havia dúvidas: a má vontade com o governo de uma mulher era explícita. As intrigas e confusões em torno dos moradores do Palácio Isabel se multiplicavam.
Beata. Carola: chegara a ponto de varrer o chão de uma igreja de Petrópolis, diziam alguns. Submissa. O “Francês”, ou seja, o conde D´Eu, é quem dava as ordens, mesmo contra a política de senadores e dos grandes do Império, reclamavam outros. Ah! O “Francês”: detestado também por alugar cortiços. Detestado por falar cheio de rr e em tom de choro. Detestado por viver despenteado, os cabelos arrepiados, as botinas sujas, as casacas cheias de dobras, as cartolas amassadas. Ridicularizado por vestir casaca com a grande ordem do Cruzeiro, trazendo as calças arregaçadas até os tornozelos. Não zelava por sua imagem. Recentemente, não lhe ocorrera predizer futuro sombrio ao fonógrafo recém-inventado nos Estados Unidos, pois julgava que o caráter misterioso da voz gravada tinha sabor de alma do outro mundo? Quanto atraso! Em Petrópolis, ia com os filhos às aulas de ginástica e não se contentava em olhar. Acompanhava os movimentos infantis com gestual “esquipáticos e desgracioso”, segundo contavam. Era visto depois, pelas ruas da pequena cidade, seguindo um carrinho puxado por carneiros aonde iam os meninos, “O que de certo não concorria para seu prestigio”, rematava o visconde de Taunay, frequentador da casa do príncipe. Era tão carola quanto a mulher. E o príncipe se deleitava com as imagens que diminuíam seus concorrentes.
Há dois anos, quando o avô, D. Pedro II, estivera para morrer, começaram a circular as primeiras notícias sobre a outra sucessão. A sua. Um ofício do ministro austríaco foi um dos primeiros sinais de que ele, Príncipe, já tinha apoio crescente. Enquanto isso, o ministro da França notificava ao seu governo sobre os primeiros sinais da conspiração, que já circulava no sangue da família imperial. Não queriam nem a princesa, nem seu filho. Quanto a Pedro Augusto, tinha até a compreensão dos ingleses. Seus “méritos” eram bem aceitos. Colocavam-no ao lado de Isabel como candidato ao trono e o corpo diplomático aproveitava para censurar as tendências clericais da princesa e a influência do marido, um estrangeiro, nos negócios do estado, em detrimento da independência do Brasil.
A avó Teresa Cristina se queixava: “Plantaram a discórdia na família”. Mas, agora...quando subiria ao trono? – se perguntava o Príncipe num apurado trote elevado, enquanto saudava um passante com um movimento de cabeça. Foram longos anos de espera a um preço terrível. Ele engolira todos os sapos e fizera todos os esforços. Tinha, até esta manhã ensolarada, a convicção íntima de que a data estava próxima. Não tinha planos muito claros para o império, mas tinha amigos que lhe dariam idéias. Deixou-se levar pelo ritmo do exercício e por seus sonhos de coroação.
Quando voltaram, o homem e o cavalo, suados, ao Palácio Leopoldina, o mordomo aguardava à porta principal. Parecia ansioso em falar com Sua Alteza. Enquanto o cocheiro recolhia o animal, o criado se precipitou escada abaixo. Com a cabeça baixa e alguns passos de distância do príncipe, começou a cuspir as informações que recebera logo cedo por gente que vira a coisa acontecer. Tudo começou ao clarear do dia, explicava o serviçal que era de toda a confiança de Pedro Augusto. O som das botas e das rodas dos dezesseis canhões krupp quebraram a monotonia do Campo de Santana. Quem olhasse pela janela de um alto sobrado na rua do Conde da Gávea, vizinha do quartel-general, descortinaria uma cena insólita. Eram quinhentos homens a marchar. E não pertenciam à Guarda Nacional que aí costumava fazer seus exercícios aos domingos. Era a 2ª. Brigada do Exército, dois Regimentos de Cavalaria, mais cerca de sessenta alunos da Escola Superior de Guerra, inaugurada no ano anterior. Todos armados dirigiam-se ao dito quartel, vindos de São Cristóvão. À frente o comandante do Primeiro de Cavalaria. Cavalgando, a seu lado, o rosto fino, os bigodes fartos e em ponta, o pince-nez do professor da Escola Militar, tenente–coronel Benjamim Constant. No caminho, o oficial que portava o pavilhão imperial jogou-o longe, com desprezo. A bandeira aterrissou no quintal de uma das casas ao longo da rua. Uma carruagem contornou a praça e depositou Deodoro da Fonseca diante do grupo. Embora fragilizado, magro e arfante, Deodoro tomou a montaria de um subordinado, assumindo a coluna de rebeldes. Era homem imponente, por trás da barba crespa e branca. A ele se juntou o único civil integrado às forças atacantes: o jornalista republicano Quintino Bocaiúva.
O quartel – continuava a contar o mordomo, já no frescor do salão enquanto servia ao príncipe um copo de limonada - se achava rodeado por destacamentos do Exército, da Armada, da Polícia da Corte e dos Bombeiros, convocados para sua defesa.  Desde a véspera corria a notícia de um movimento sedicioso. O gabinete Ouro Preto lutava para contê-lo. Ordens dos ministérios da Guerra e da Marinha mobilizara uma brigada mista de cerca de mil homens supostamente leais ao governo imperial. Supostamente. Postados ao lado da Estação da Estrada de Ferros, os homens enchiam também o pátio do quartel-general cujos portões estavam fechados.
Por sugestão do ministro da Guerra, Enéas Fonseca Galvão, Visconde de Maracajú, o gabinete liberal que governava o país se reunira no quartel general para “animar a resistência” e enfrentar o golpe. Um grupo, portanto, sabia que o Império corria riscos. O marechal de campo Floriano Peixoto ocupava seu posto junto ao governo. Tanto ele como o ministro da Guerra tinham dado garantias a Ouro Preto, de que a situação estava sob controle. Falsos! Nenhuma iniciativa contra os golpistas tinha sido tomada. Nenhuma barricada erguida, nenhuma boca de rua guarnecida, nenhuma casa vizinha ocupada para conter os insurgentes que logo iam mostrar a cara. Muitos dos homens do governo acreditavam piamente em que não haveria grandes surpresas. Outros como Floriano, passava ordens em voz baixa para os oficiais. A qualquer aproximação de Ouro Preto, agiam com dubiedade. Por precaução, as tropas mantinham-se apenas com as armas ensarilhadas. Todos pareciam assustados. O 10º. Batalhão de Infantaria, unidade de maior confiança do governo imperial, fora mandado interceptar a Escola Militar que também se rebelara e marchava, vindo de suas instalações na Praia Vermelha.
Um piquete de cavalaria sublevada chegou em missão de reconhecimento, até os muros do quartel-general. Surpresa: não provocou nenhuma reação dos militares presentes. Dentro do prédio, Ouro Preto, irado, reclamava um contra-ataque. Queria a captura dos oficiais, mas esbarrava na inércia silenciosa dos homens com os quais deveria contar. Um exemplo: um oficial, designado para o comando das tropas aparentemente fiéis, circulava pelos corredores do quartel. Instado a assumir as funções para as quais havia sido designado, e interpelado por Ouro Preto se “ - iria cumprir seu dever”, respondeu, com singular expressão: “ - seguramente irei cumprir meu dever”. Mas a dúvida ficou no ar: cumprir em relação a quem?
E o mordomo prosseguia diante do rosto impassível do príncipe, o cerco em torno do quartel se fechou. Ombro a ombro, os militares das mais diversas patentes cerravam fileiras em torno de dezesseis canhões que apontavam para a fachada do quartel. A Brigada Mista formada por fuzileiros, encarregada de resistir contra as tropas revoltadas, cedeu quando seu comandante obedeceu à ordens de Deodoro da Fonseca de se alinhar com eles. Enquanto isso, o 10º. Batalhão de Infantaria que marchava para fazer frente aos cadetes da Escola Militar, abortou sua missão. As unidades se confraternizaram.
No Campo de Santana, um mensageiro se destacou das fileiras – seguia relatando o mordomo. Trazia uma mensagem de Deodoro da Fonseca para Floriano Peixoto. Ouro Preto recusou-lhe a entrada: no seu entender, uma força armada revoltada tinha que ser repelida à força. E sem diálogo! Mas aconteceu o pior, dramatizava o narrador. Nesse momento, chegou ao quartel general o ministro da Marinha, Almirante Barão de Ladário. Era um homem entrado em anos. Uma vasta barba e bigodes brancos lhe cobriam as faces e comendas e honrarias militares se acumulavam sobre a farda. Um ajudante-de-ordem de Deodoro deu-lhe voz de prisão. Ladário não teve dúvidas. Desceu da carruagem que o conduzira até o Campo, sacou da pistola, atirou sobre o oficial. A seguir mirou sobre Deodoro. Errou os dois tiros. A reação foi imediata. Um piquete de homens caiu sobre ele, agredindo-o com tiros e coronhadas. Foi salvo por Deodoro que teria gritado: “Não matem o Barão!”. Muito ferido, foi recolhido a uma farmácia e depois levado para casa. A ideia de que os revoltosos atiravam para matar impressionou o príncipe.
O que o príncipe Pedro Augusto não soube é que, dentro do quartel-general, as ordens de Ouro Preto para resistir eram esvaziadas. Ninguém parecia ouvi-las. Floriano alertava para a carnificina que a artilharia, assestada sobre o quartel, poderia provocar. Ouro Preto insistia, argumentando com o marechal que durante a Guerra do Paraguai fora possível neutralizar a ação dos canhões a pouca distância. E teve que ouvir em resposta: “ - Sim, mas, lá tínhamos pela frente inimigos e aqui somos todos brasileiros”. Ao mesmo tempo, outros oficiais demonstravam, eles, também preocupação com o matadouro em que iria se transformar o campo de Santana. Lamentável, mas, não era possível qualquer reação, como desejaria o primeiro-ministro. Diante do fato consumado, enviou-se um telegrama ao Imperador: o texto dizia que o Ministério estava sitiado, que um ministro fora ferido e que não havia como resistir. Ouro Preto pedia demissão de seu cargo de presidente dos ministros e encerrava o texto com uma frase definitiva: “A tropa acaba de fraternizar com o Marechal Deodoro, abrindo-lhe as portas”.
E de fato, obedecendo às ordens de Deodoro e conhecedores dos rumores que circulavam dentro do quartel sobre as reticências a respeito de qualquer reação, os soldados abriram os portões. Velho e doente, o marechal Deodoro, entrou no pátio, aos gritos de “ - tirem esses trambolhos daqui”, referindo-se às metralhadoras armadas nos seus tripés. As armas desabaram por terra. A tropa presente respeitosamente o saudou, em continência! Ao ouvir um “ -Viva a República”, mandou calar! Ao som da banda e do tinir das armas que lhe iam sendo sucessivamente apresentadas, Deodoro subiu ao salão onde se achava, acuado, o ministério. Ao cruzar com o ministro da Guerra, Maracaju, lhe teria dito secamente, “- Adeus, primo Rufino”. Decretava, com a seca despedida, o fim do ministério.
Com Ouro Preto, foi direto ao ponto: pusera-se à frente do Exército para vingar gravíssimas injustiças e ofensas que esta corporação recebera do governo. Enquanto o Exército se dedicava à defesa da pátria, os políticos só o maltratavam e cuidavam dos próprios interesses pessoais. Aludiu aos seus sofrimentos, pois estava gravemente doente, sem contar os outros problemas, nascidos nos campos de batalha do Paraguai. Mas Ouro Preto não perdeu tempo em responder: “Não é só nos campos de batalha que se serve à pátria e por ela fazem-se sacrifícios. Estar aqui ouvindo o general neste momento não é somenos do que passar alguns dias e noites num pantanal”. Encerrou-se a conversa com voz de prisão a Ouro Preto. Estava deposto e preso. Sem mais.
A seguir, e depois de uma salva de vinte e um tiros, Deodoro saiu à frente das tropas do exército, Armada, Polícia e Bombeiros, desfilando pelo centro da cidade, ouvindo pelo caminho aclamações e discursos patrióticos. Terminou seu trajeto em frente ao Arsenal da Marinha. Aí, novamente, os portões se abriram e foi recebido pelo contra-almirante Eduardo Wandenkolk, líder dos republicanos na Marinha, além de convidado do príncipe Pedro Augusto, alguns dias antes.
Depois de dispersas as tropas que haviam tomado parte no movimento, Deodoro se recolheu. Até este momento não houvera proclamação de república alguma. Tão somente se anunciava mais uma queda de ministério. Procurava-se um substituto para Ouro Preto e havia mesmo quem tivesse ouvido Deodoro gritar para as tropas, “ -Viva Sua Majestade, o Imperador”. Apesar do aparato, nada se decidira. Inconformados, alguns republicanos, militares e civis, liderados por José do Patrocínio, se reuniram no edifício da Câmara Municipal onde foi hasteada a primeira bandeira da república: uma imitação da americana, com listras amarelas e verdes. De lá, o grupo marchou até à casa do velho marechal, do outro lado do campo de Santana. Adoentado e com falta de ar, depois de tanto esforço, Deodoro já se encontrava deitado. Benjamim Constant veio até a sacada de onde ouviu Patrocínio discursar apaixonadamente sobre como o povo havia proclamado a República. A resposta vinda da janela decepcionou a todos: “ - o voto do povo seria tomado em consideração”. Uma ducha fria. A dispersão se fez em silêncio.
O príncipe Pedro Augusto ouvira cada palavra dita pelo mordomo com atenção. Estava atônito. Bem informado como era, por quê não foi avisado com antecedência? Afinal tinha amigos entre os republicanos. Fizera alianças para garantir seu futuro Reinado. O plano estava bem encaminhado e seus partidários da Marinha – ou aqueles que ele achava que o apoiariam – não lhe deram nenhum sinal desta mudança. Faltava pouco para o aniversário do avô, data, em que os fatos tomariam novos rumos políticos. Em que o futuro do Brasil estaria nas mãos de um jovem brilhante, bonito e gentil. Enfim, nas suas mãos!  Um aperto no coração indicou que as coisas podiam não transcorrer como ele havia previsto. A manhã, antes azul, agora lhe parecia sombria. Não estando bem certo do que aquilo significava, mandou um espia para a casa dos tios. Que se infiltrasse entre os empregados. Que abrisse bem os ouvidos. Era importante saber o que lá ia acontecendo.
- Trecho do livro "O Príncipe Maldito", de Mary del Priore. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2007.
pedroaugustoprince

VOCÊ PODE COMPRAR ESTE E OUTROS LIVROS PELO NOSSO BLOG! BASTA CLICAR NOS LINKS À DIREITA DA PÁGINA

Documentários gratuitos sobre filosofia

by marcia

O Canal do Ensino disponibilizou documentários gratuitos sobre Nietzsche, Heidegger e Sartre.

Filósofos

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 -1900) foi um filósofo alemão do século XIX e um dos maiores nomes dessa área. Martin Heidegger (1889 – 1976) foi um filósofo alemão do século XX que influenciou muitos outros, dentre os quais Jean-Paul Sartre. Jean-Paul Sartre (1905 -1980) foi um filósofo francês, conhecido como representante do existencialismo.
Os documentários são conduzidos por Alain de Botton, escritor e produtor famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana. De Botton iniciou um Ph.D em filosofia francesa em Harvard, mas acabou preferindo escrever ficção.  Possui sua própria produtora, a Seneca Productions, que transmite regularmente programas e documentários na televisão britânica baseados em seus trabalhos.
Documentário sobre Nietzsche
Documentário sobre Heidegger
Documentário sobre Sartre
 FONTE: Canal do Ensino.

Caricaturas: nasce a República

by marcia
Na Semana da República, entre os dias 15 e 22 de novembro, a Casa Histórica do Marechal Deodoro, com o Projeto Janelas Abertas para a República, estará oferecendo ao público visitas guiadas gratuitas pelo entorno do Campo de Santana. Serão sete diferentes percursos, com ênfases diferentes, orientados e interpretados por guias recém-formados pelo Curso de Turismo do Colégio Estadual Antônio Prado Júnior.
Todos os roteiros terão como ponto de apoio e de saída a Casa Histórica de Deodoro, que, além do seu acervo permanente, contará com a Exposição de Caricaturas “Nasce a República”, com curadoria das equipes envolvidas. Esse projeto, apoiado pela FAPERJ, tem parceria da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército e a colaboração de diversas instituições do entorno do Campo de Santana.
Datas: Todos os dias da semana de 15 a 22 de novembro.
Saídas: às 10h e às 13h. Sexta, sábado e domingos saídas extras às 11h e às 14h.
Local: Casa Histórica de Deodoro. Praça da República, 197 - Rio de Janeiro.
caricaREPcaricaturaRepcarictRepBRASÃO

“A idade não tem podido contra um coração todo seu”, carta de D. Pedro II à condessa de Barral

by marcia

Depois de mais de trinta anos de amizade com a condessa de Barral, o imperador D. Pedro II sofre as saudades da distância que os separa: ele no Rio de Janeiro, ela em Roma.
Rio de Janeiro, 7 de junho de 1880
Condessa,
Cheguei às oito e meia para nove horas da manhã.
Careço de tempo para copiar as notas de minha viagem que muito me agradou. O Paraná é uma bela província de grande futuro. O frio fortificou-me, chegou numa manhã em Curitiba a dois graus abaixo de zero. Não imagina quanto você me faltou durante essa viagem. Se me quer muito quanto mais lhe quero eu como o melhor consolo para a vida que levo! Felizmente achei suas duas cartas acabadas a 30 de abril e a 4 de maio. Creia que a todas queimo e que preciso de que você me diga tudo e tudo. Sou o mesmo que lhe inspirou tamanha afeição e de nada me esqueço, tudo revivendo em mim com o mesmo viço de uma afeição de trinta e tantos anos.
Ah se lhe contasse tudo o que imaginei nas lindas noites dos campos do Paraná! A idade não tem podido contra um coração todo seu. Desculpe-me se lhe falo assim. Você sabe como a estimo, e tudo posso dizer a quem tão bons conselhos sempre me deu. Ah se você estivesse agora aqui ou eu em Roma, como apreciaríamos nossa afeição inabalável! Mais quisera dizer, po­rém prefiro que você adivinhe tudo o que eu acrescentaria ao que já escrevi. Vou ler para poder dormir. Adeus! E ainda adeus!
Mande-me como puder em sua próxima carta um pouco do que você sente por mim tão e tão longe de quem lhe quer cada vez mais. Adeus!
Vou enfim dormir.
Ontem, logo que cheguei e aviei, o mais urgente fui ver o reservató­rio de água do Pedregulho. Examinei bem a direção da fenda em quase toda uma diagonal do canto de noroeste ao de sudeste. Pode ser causa local, e a comis­são nomeada e composta de competentíssimos dará brevemente seu parecer. Rachas semelhantes sem rumo das obras têm-se dado em reservatórios cons­truídos sob a direção dos mais hábeis engenheiros. Voltei à barafunda política e amanhã já terei despacho à noite. O resto da semana será ocupado principalmente com as festas do tricentenário de Camões. Creio que serão brilhantes. O nosso conhecido Hermann fez aqui na minha ausência pelotices surpreendentes. Espero vê-lo quando tiver voltado de São Paulo. Hoje e todos estes dias muito tenho que ler para ficar um pouco em dia. Esta carta lhe será levada pelo paquete de amanhã de manhã. Esta noite já há um festejo teatral em honra de Camões. Faz calor. Amanhã ou depois chegará vapor francês. Ando sempre sôfrego de suas cartas. A impaciência é compa­rável a que tanto me fazia sofrer como você recorda em uma de suas cartas. Por que havíamos de viver tão longe um do outro? Se eu lhe aparecesse agora em Roma o que faria você? Eu transporto-me até lá nas asas da minha imagi­nação e aqui lhe mando tudo e tudo. Não se zangue comigo e console-me como quando me via aflito na […].[1] Aperte a mão de
Seu amigo de sempre
Ainda aqui lhe mando as minhas saudades – como brotão e rebrotão!
....................................................
Alcindo Sodré. Abrindo um cofre. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1956.
[1] N.E.: Palavra ilegível.
FONTE: Correio IMS.
nº2Retrato_da_condessa_de_Barral_e_Pedra_Branca,_1865
D. Pedro II e a condessa de Barral: mais de 30 anos de amor e amizade.
Saiba mais sobre essa empolgante história em:
“Condessa de Barral – a paixão do Imperador“, de Mary del Priore. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2006.
dica3
VOCÊ PODE COMPRAR ESTE E OUTROS LIVROS PELO NOSSO BLOG! BASTA CLICAR NOS LINKS À DIREITA DA PÁGINA.

“Cultura e Opulência do Brasil” recebe o selo Memória do Mundo – Brasil

by marcia

O livro “Cultura e Opulência do Brasil”, publicado em 1711 por um jesuíta sob o pseudônimo André João Antonil, é a primeira obra impressa do acervo de Obras Raras da Biblioteca Nacional (BN) a receber o registro do programa Memória do Mundo – Brasil, da Unesco.
A candidatura, submetida para análise do comitê nacional do programa Memória do Mundo em julho deste ano, foi fundamentada em aspectos relativos à importância da obra e à qualidade do exemplar do acervo da BN. “Conseguir o registro para uma publicação impressa é difícil, porque concorremos com manuscritos e outros documentos que constituem exemplares únicos”, explica Ana Virginia Pinheiro, chefe do acervo de Obras Raras. No caso deste livro, ela conta que existem apenas sete peças conhecidas no mundo, pois logo após sua publicação, no início do século XVIII, a edição foi proibida e a tiragem, destruída. Isso porque a Coroa Portuguesa considerou inoportuna a disseminação de informações estratégicas sobre as riquezas do Brasil, incluindo dados sobre os engenhos de açúcar, tabaco e gado, bem como a localização das minas de ouro e prata. “Só se salvaram os exemplares que tinham sido doados antes da proibição, e poucos se preservaram até hoje”, diz.
A obra, que consta no arquivo da BN, é um item de cofre, que foi microfilmado e digitalizado para facilitar a consulta pelos usuários. O original entrou no acervo em 1911, e sua origem, que pode ser traçada com segurança, foi documentada no pedido de registro encaminhado ao comitê da Unesco. Depois de pertencer a diversos colecionadores que a negociaram ou doaram, a peça acabou sendo incorporada à biblioteca de José Carlos Rodrigues, que foi adquirida por Julio Benedicto Ottoni e doada à BN.
O livro foi digitalizado e está disponível para leitura na BNDigital:http://objdigital.bn.br/acervo…/div_obrasraras/or1320141.pdf
culturaeopulencia
FONTE: Fundação Biblioteca Nacional

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A biblioteca pessoal de Fernando Pessoa disponível para consulta

A biblioteca pessoal de Fernando Pessoa disponível para consulta

by marcia
A Casa Fernando Pessoa possui um tesouro único no mundo: a biblioteca particular desta figura maior da literatura. É muito raro conseguir-se encontrar a biblioteca inteira de um escritor com a dimensão universal de Pessoa. Os livros tendem a mover-se muito depressa: emprestam-se, perdem-se, vendem-se. Pessoa também vendeu alguns – mas deixou-nos 1.142 volumes, de todos os gêneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.
Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se patrimônio da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida.
Graças à dedicação de uma equipe internacional de investigadores coordenada por Jerônimo Pizarro, Patricio Ferrari e Antonio Cardiello foi possível digitalizar, na íntegra, toda a biblioteca. Graças ao apoio da Fundação Vodafone Portugal foi possível colocar online cada uma das páginas digitalizadas. Deste encontro de entusiasmos generosos resultou a disponibilização gratuita da preciosa biblioteca do autor de O Livro do Desassossego , que agora pertence aos leitores em qualquer parte do globo. Procuramos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacamos páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros.
Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.
Inês Pedrosa - Casa Fernando Pessoa
Para ter acesso ao acervo, acesse o link abaixo:
fernandopessoa

Propaganda, História e Memória

by marcia
Por Natania Nogueira.
Uma das coisas mais interessantes em se pesquisar periódicos antigos é observar os anúncios que neles são veiculados. Anúncios de venda de imóveis ou de elixires poderosos que prometem acabar com os “males femininos” ou trazer de volta a energia da juventude. Podemos viajar pela História simplesmente nos atendo às propagadas de jornais e revistas.
Tentativas de se vender determinados produtos, estes anúncios tornam-se valiosas fontes de informações históricas. Um anúncio de venda de escravos ou de recompensa pela captura de escravo fugitivo pode ajudar a reforçar teses sobre a população escrava em determinada localidade e suas tentativas de resistência ao cativeiro. A oferta de remédios para determinadas moléstias nos diz muito sobre a saúde pública, sobre as doenças mais comuns e sobre as formas como eram tratadas.  A oferta de vagas em escolas particulares nos ajuda a traçar um perfil da rede de ensino que se formava em determinada época, em determinada localidade. Pequenas informações que ajudam a compor o mosaico da História.
A inauguração da imprensa nacional, com a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil inaugura, também, a era da propaganda, que já ultrapassa respeitáveis 200 anos. A história da propaganda no Brasil começa com a Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808, com seus primeiros anúncios de venda de imóveis, e passa pelas centenas de periódicos que surgiram, na Corte e em pequenas cidades, localizadas nas mais distantes regiões do Brasil, no século XIX.
Os anúncios ou propagandas ilustradas demorariam um pouco mais. Elas começariam a se popularizar a partir de 1875, quando o Mequetrefe e o Mosquito inauguraram os primeiros “reclames ilustrados”. A partir de então outros jornais e, posteriormente, revistas passaram a dedicar um espaço cada vez maior às ilustrações (desenhos, litogravuras e logotipos), que passaram a ocupar até páginas inteiras. Ao lado de charges e quadrinhos, estas propagandas ilustradas tornaram-se características das publicações veiculadas a partir de 1875, em todo o Brasil.
São imagens que divertem, contam histórias e são registros importantes da memória nacional. Propagandas e anúncios ilustrados podem ser fontes para História local. Mais do que isso, podem ser utilizadas como forma de se ensinar esta história e, ao mesmo tempo, trabalhar educação patrimonial e memória. Devidamente contextualizados, jornais e revistas podem dialogar e enriquecer o ensino de História, além de colaborar para a construção da história local.
Um simples anúncio de propaganda pode tornar uma aula de História mais interessante. E as ferramentas estão ao alcance de professores. Atualmente, temos disponíveis para consulta, download e impressão, milhares de páginas de jornais e revistas brasileiras e estrangeiras, permitindo ao professor ensinar e produzir história com seus alunos. Pequenas iniciativas, a partir de pequenos fragmentos da História, podem ajudar a formar uma juventude mais crítica e capaz de reconhecer a importância da sua nossa História.

farinha 

hotel

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

AGROdestaque entrevista Aldir Alves Teixeira
Profissional conta sua trajetória profissional e seu envolvimento com a área da qualidade do café

O Projeto AGROdestaque divulga as contribuições que o egresso da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/ESALQ) realiza nas áreas de Ciências Agrárias, Ambientais e Sociais Aplicadas. Consiste em uma entrevista em formato ping-pong, na qual é possível obter informações sobre o egresso – breve currículo, demandas da área em que atua e opiniões acerca de aspectos relacionados ao mercado profissional.

Além da publicação nos sites da Escola (www.esalq.usp.br/acom/agrodestaque) e da Associação dos Ex-alunos da ESALQ (ADEALQ) (www.adealq.org.br/), o material é disponibilizado como sugestão de pauta aos veículos de comunicação da USP, de Piracicaba e região, bem como aos profissionais da mídia especializada.

Segue entrevista com o engenheiro agrônomo Aldir Alves Teixeira (F-1959)
Atuação profissional

Formei-me engenheiro agrônomo, em 1959, e obtive o título de Doutor em Agronomia, em 1972, pela ESALQ. Trabalhei na Seção de Classificação e Degustação de Café, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, a partir de janeiro de 1960. De agosto de 1966 a novembro de 1983, prestei serviço junto ao antigo Instituto Brasileiro do Café. Reassumiu o cargo no Instituto Biológico, em dezembro de 83, e aposentei-me em 1992 no cargo de Pesquisador Científico nível VI. Em 1992, criei a empresa ASSICAFÉ e fui diretor até 2014. Sou membro e Coordenador de Qualidade da Câmara Setorial do Café, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e Diretor Geral da Experimental Agrícola do Brasil, desde 2011, cargo que ocupo até hoje.

A que área ou setor se dedica atualmente? Descreva as atribuições do cargo que ocupa. Qual a importância delas para o mercado?

Sempre trabalhei na área da qualidade do café. Fiz os cursos de Classificador e Degustador de Café, de Café Solúvel e de Expresso, sendo que este como Classificador Super Senior, concedido pela empresa Illycafè, em Trieste, Itália. Em 1991, com a vinda do Dr. Ernsto Illy ao Brasil, fui convidado para organizar e presidir o Concurso de Qualidade de Café, hoje na 25ª versão. Desde 1991, a qualidade do café do Brasil mudou e passou a ser reconhecido como um produtor de qualidade. Até então, só era conhecido como fornecedor de Commodity. A ideia lançada, na época, foi de fazer um Prêmio de Qualidade, comprar diretamente do produtor e pagar um preço maior pela qualidade.

Quais os principais desafios desse setor?

Dar ensinamento e treinamento aos produtores brasileiros de como produzir café de qualidade.
Que tipo de profissional esse mercado espera?

Que se dedique a descobrir os porquês de como produzir um café de qualidade. Há necessidade de muita pesquisa nessa área.

Alessandra Postali

UNESP DISPONIBILIZA 20 CURSOS ONLINE GRATUITOS NA ÁREA DA EDUCAÇÃO

by marcia
A UNESP (Universidade Estadual Paulista) - por meio da Unesp Aberta - disponibiliza 20 cursos online e totalmente gratuitos, direcionados à área da Educação - em temáticas diversificadas.
Os cursos são livres e podem ser realizados por profissionais de todo o país. O grande diferencial é que como não há prazo definido para conclusão nem tutoria pedagógica, o interessado pode estudar de acordo com seu tempo disponível, concluindo o curso no seu ritmo. Conheça abaixo os 20 cursos gratuitos na área da Educação:
  • Conteúdos e didáticas de alfabetização;
  • Conteúdos e didáticas de artes;
  • Conteúdos e didáticas de ciências e saúde;
  • Conteúdos e didáticas de geografia;
  • Conteúdos e didáticas de educação física;
  • Conteúdos e didáticas de história;
  • Conteúdos e didáticas de língua portuguesa e literatura;
  • Tecnologia assistiva, projetos e acessibilidade promovendo a inclusão escolar;
  • Didática geral;
  • Educação e linguagem na educação infantil;
  • Educação e sociedade;
  • Educação inclusiva e especial;
  • Abordagens curriculares na educação infantil;
  • Diferentes formas de linguagem expressivas e comunicativas na educação infantil;
  • Ética e cidadania;
  • Filosofia da Educação;
  • Fundamentos e princípios da educação infantil;
  • Política educacional;
  • Psicologia da educação;
  • Sociologia da educação.

Inscrições e informações

Os profissionais interessados em realizar os cursos devem saber que não há prazo definido para início e término das inscrições; os cursos são disponibilizados durante todo o ano. Para ter acesso ao ambiente virtual e ao conteúdo, é preciso se cadastrar na plataforma Unesp Aberta (http://www.unesp.br/unespaberta): o cadastro é simples e exige apenas e-mail e senha. Uma vez logado no sistema, o aluno pode acompanhar os cursos e ter acesso aos diversos títulos de e-books disponíveis.
FONTE: Blasting News.
livros-antigos


Lançamento: “A Companhia de Jesus na América – por seus colégios e fazendas”

by marcia
No Rio de Janeiro, os jesuítas, por meio de seu Colégio, eram administradores das fazendas e engenhos de São Cristóvão, do Engenho Velho, do Engenho Novo, de Santo Ignácio dos Campos Novos, de Sant’Anna de Macaé, dos Campos dos Goitacazes, da Papucaia de Macacu, do Saco de São Francisco Xavier e de Santa Cruz. Já o Colégio de Córdoba era responsável por uma série de fazendas, destacando-se dentre elas Santa Catalina, Caroya, Jesus Maria e Alta Gracia.
Os textos reunidos na obra são representativos de uma nova historiografia brasileira e argentina e, quando analisados em conjunto, permitem a identificação de alguns pontos a respeito da presença da Companhia de Jesus nas duas áreas em questão. Optamos por não apresentar cada um dos textos em separado para que o leitor possa, nesse momento, ter uma visão geral da obra e de suas contribuições às discussões sobre a presença da Companhia de Jesus no Brasil e na Argentina.
Uma das conclusões apresentadas é a demonstração de que as fazendas/engenhos/haciendas, apesar de estarem inseridas em espaços geográ- ficos diferentes e submetidas a duas coroas católicas, possuíam variadas semelhanças entre suas estruturas, na medida em que faziam parte de um complexo maior que era o projeto missionário jesuítico. Observam-se também as intricadas formas que os inacianos encontraram para gerar riqueza, utilizando-se para isto das doações de terras e do controle sobre a mão de obra indígena e negra em terras da América portuguesa e espanhola. Os textos apontam ainda, para a existência de conflitos entre os jesuítas e a sociedade que circundava as fazendas/engenhos e as haciendas decorrentes de problemas locais, principalmente o controle sobre a mão de obra indígena, mas também de caráter mais amplo que envolviam decisões metropolitanas ou romanas.
A partir do levantamento dos acervos das boticas das fazendas e das bibliotecas afetas aos Colégios jesuíticos do Rio de Janeiro e de Córdoba, foram evidenciadas formas de circulação de saberes relativos à gestão de pessoas e de propriedades, bem como de práticas médicas entre as distintas áreas de atuação da Companhia de Jesus, envolvendo estes centros de formação instalados na Europa, no Oriente e na América. Um outro grupo de textos sinaliza para as questões ligadas à administração dos bens jesuíticos pelas Coroas portuguesa e espanhola no momento posterior à expulsão, apontando inúmeras semelhanças e/ou diferenças na ação de ambas as monarquias. Também identificam como se sucederam as ações e práticas dos funcionários coloniais nomeados para administração dos colégios do Rio de Janeiro e de Córdoba.
Num apanhado geral do projeto, temos oito textos contemplando os colégios jesuíticos de Córdoba e do Rio de Janeiro ao longo dos séculos XVII e XVIII, trabalhados por dez autores de sete instituições diferentes. Num esforço conjunto, buscou-se mapear os principais aspectos das histórias de dois dos mais importantes colégios da América colonial. Importância devida não só ao seu tamanho e relevância em diferentes 8 áreas da vida cotidiana, mas também à sua representatividade para as histórias econômicas das áreas em questão.
Além disso, agrega-se valor pela infinidade de sendas abertas pelos textos que buscam muito mais apresentar questões do que resolvê-las. Sabemos que nenhuma história se esgota em uma obra, e por isso mesmo, a intenção deste projeto foi, desde o início, indicar múltiplas possibilidades de investigação a partir de um mesmo objeto, apontando para o diálogo entre os que estudam facetas de uma mesma realidade.
A viabilização de um projeto desta monta viria a contribuir, de modo significativo, para o conhecimento das origens e das transformações que estas duas áreas sofreram no curso de suas histórias. As atividades econômicas da Companhia de Jesus revelam alguns indícios sobre a história econômica da América portuguesa e da espanhola coloniais. O papel dos ranchos e das fazendas jesuíticas deve ser pensado no bojo da expansão da fronteira colonial, pois suas enormes extensões de terra propiciaram a formação de barreiras contra invasões dos índios e suas atividades comerciais ajudaram a cimentar e desenvolver vínculos econômicos e comerciais com outros centros.
Percebe-se, nos capítulos aqui apresentados, um conjunto de obras que se voltam, de formas variadas, para a análise do papel econômico desempenhado pelos religiosos da Companhia de Jesus, tema que é, em certa medida, negligenciado pelos historiadores que analisam a presença desta ordem nas Américas, principalmente, a portuguesa. Poucos são os historiadores que apresentam questões referentes à administração dos bens jesuíticos. Esse livro pretende, assim, contribuir para a diminuição desta quase ausência temática a respeito do papel destes religiosos na capitania do Rio de Janeiro e na Província Jesuítica do Paraguai.
"A Companhia de Jesus na América por seus colégios e fazendas Aproximações entre Brasil e Argentina (século XVIII)".
Marcia Amantino, Eliane Cristina Deckmann Fleck, Carlos Engemann (orgs.). Editora Garamond, 2015.
amantino
O lançamento será no dia 12 de novembro às 19 horas na livraria Blooks, em Botafogo, Rio de Janeiro.

amantino2

“O Mapa que inventou o Brasil”

by marcia

Programa com a pesquisadora e professora de história da Universidade Federal de Minas Gerais, Júnia Ferreira Furtado, sobre seu livro, "O Mapa que Inventou o Brasil". Na Obra, ela explica como se deu a conformação territorial do Brasil no século 18, quando Portugal e Espanha ainda se batiam para saber como era exatamente o continente sul-americano e como ficaria a divisão final do território entre as duas potências marítimas da Europa, acordada pelo Tratado de Tordesilhas que era ignorado havia mais de 150 anos . A chave para essa explicação está no mapa Carte de l´Amerique Meridionale, produzido pelo cartógrafo francês Jean Baptiste Bourguignon d´Anville, a pedido do embaixador português Dom Luís da Cunha, que serviu em Paris, nos Países Baixos e na Inglaterra e obteve as referências (cartas de colonos, aventureiros e religiosos brasileiros, relatos, medições, mapas e rascunhos de mapas) com as quais o cartógrafo produziu o mapa que viria a ser o mais próximo do que se tornou o Brasil atual.
Assista:
Fonte: Univesptv.
mapabrfapesp 2riocol
A importância da cartografia na História.

Sapatos: das antigas chopines ao salto plataforma

by marcia

Em dias de Fashion Week, quando se fala muito de modas e tendências, vamos conhecer um pouco da história dos sapatos, que há séculos são verdadeiros símbolos de riqueza e status
     A guilda de sapateiros foi uma das primeiras a surgir na Inglaterra, sendo que seu primeiro regulamento data de 1272. Seu nome, The Guild Cordwainers, era uma corruptela de Córdoba, região da Espanha que produzia o melhor couro da época. Os calçados de bico fino e comprido estiveram na moda no final do século XIV. É importante destacar que os sapatos feitos de couro, para proteger os pés da lama e da neve, eram exclusividade dos mais ricos. Com o tempo, começou-se a usar também lã, o que os tornou mais acessíveis aos menos abastados.
No século XVI, principalmente no reinado de Henrique VIII (1509-1547), a aristocracia aderiu ao luxo e ao exagero na indumentária. O estilo dos sapatos mudara: os mais ricos chegavam a usar sapatos com solados de 17 centímetros de largura, em contraste com os bicos finos e longos do passado. Seda, veludo e brocados davam o tom de refinamento. As mulheres seguiam o estilo masculino nos pés, elas ainda não tinham uma moda exclusiva nesse aspecto. Maria Tudor (1553-58) teria mandado confeccionar modelos especialmente para ela, iniciando assim um novo hábito: slippers de veludo (que voltaram recentemente à moda), botinas para cavalgar, e sapatos de seda e veludo, com solado vermelho, para ocasiões formais.
   As chopines eram sapatos bastante extravagantes que foram moda entre a nobreza do século XVII: na verdade foram as ancestrais dos nossos queridos sapatos de saltos plataforma, que hoje acrescentam alguns centímetros às mulheres com relativo conforto. Mas, no século XVII, as chopines estava longe de serem confortáveis. Eram feitas de madeira e forradas com tecidos como seda e veludo (às vezes, couro), quase sempre abertas nos calcanhares. As damas, porém, exageravam na altura e há exemplares com 50 centímetros de altura, que são exibidos como peças de museu.
    A austera Rainha Elizabeth (1558-1603) usou o modelo em determinados períodos de seu longo reinado - parece que a soberana seguiu vários modismos enquanto governou os ingleses. A moda dos sapatos variava bastante entre os nobres, que gostavam de aderir às novidades. As chopines, que não possuíam o design anatômico, nem eram feitas com os materiais tecnológicos de hoje. Por isso, as damas das mais altas classes mal se mexiam e andavam menos ainda.
elizabeth
Rainha Elizabeth: plataformas (chopines) altíssimas.

      No Brasil, os nossos nobres imitavam as modas europeias, principalmente as francesas e inglesas. Os mais abastados usavam sapatos bordados e de salto, com fivelas de ouro e prata. Meias de seda coloridas complementavam o visual. Botas e botinas de couro, com esporas de prata, também eram comuns entre os fazendeiros. Os mais pobres se contentavam com alpercatas, sandálias ou botinas grosseiras.Os escravos andavam descalços ou, mais raramente, com chinelas. - Texto de Márcia Pinna Raspanti.
001 (2)

Debret: senhoras com sapatos delicados; escravas descalças.

Dois modelos de chopines (fins do século XVI), cobertos com tecidos adamascados.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
"Shoes", de Lucy Pratt & Linda Wooley, uma publicação do Victoria & Albert Museum (V&A Publishing), de Londres

As marcas da Inquisição em São Paulo

As marcas da Inquisição em São Paulo

by marcia
O período da Inquisição em Portugal (1536-1821) deixou marcas e vítimas em São Paulo. Ao contrário do que se pensa, houve, sim, Inquisição em São Paulo, inclusive com Visitação do Santo Ofício.
Fizeram-se fintas (cobrança de impostos) exclusivas a cristãos-novos, registraram-se ondas de denúncia e caça aos judaizantes. Paulistas e parentes seus, tanto em São Paulo como em outras partes do Brasil ou de Portugal, foram jogados aos porões da Inquisição. Alguns acabaram executados ou levados à loucura por não compreenderem o ‘crime’ que tinham praticado, outros morreram por tortura ou por doenças adquiridas pelas condições insalubres dos cárceres.

Lançamento: Cristãos-novos em São Paulo (séculos XVI-XIX): assimilação e nobilitação, de Marcelo Meira Amaral Bogaciovas, com prefácio de Mary Del Priore. São Paulo: ASBRAP, 2015.
Em Portugal o livro será comercializado pelo Geneall. No Brasil, o livro será vendido, no dia do lançamento, 7 de novembro, ao preço especial de R$ 50,00. Após essa data: R$ 55,00, mais despesas do correio (para o Brasil). O livro poderá ser adquirido através do e-mail: contato@asbrap.org.br.
O lançamento será em 7 de novembro, das 9 às 17 horas, no Mosteiro de São Bento, no centro da cidade de São Paulo, durante o Simpósio sobre a documentação do Tribunal do Santo Ofício: Suporte para a pesquisa genealógica e atribuição de cidadania portuguesa aos descendentes de cristãos-novosEntrada gratuita.
O acervo da Biblioteca Genealógica da ASBRAP (Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia) está disponível ao público no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Veja a relação do acervo na página: http://www.asbrap.org.br/instituc/relacaodoacervodabibliotecagenealogicadaASBRAP.htm.

História: Escravidão nas Américas - Rafael de Bivar Marquese